Jornal de Letras

Siga-nos nas redes

Perfil

Homem do Leme: Chechenos e chechecos

Homem do Leme

  • 333

Fosse Michael Matthews Presidente dos Estados Unidos e a República Checa já tinha sido bombardeada, como represália dos ataques de Boston

Fosse Michael Matthews Presidente dos Estados Unidos e a República Checa já tinha sido bombardeada, como represália dos ataques de Boston. Teria todo o apoio do seu secretáro de Estado Justin Cotton. Pelo menos, é o que se pode ler no twitter. Para eles, seguindo a informação falsa de alguns jornais, a República Checa, a Chechénia e o Seixal é tudo a mesma coisa. Pretexto, sobretudo, para manifestarem a sua alarvidade xenófoba e a vertigem imperialista americana. Como se um ato isolado de um indivíduo representasse oficialmente todo o Estado. Pela mesma ordem de ideias, estes americanos deviam bombardear-se a si próprios depois do massacre de Denver. Mal sabem eles que se os Estados Unidos, por algum motivo alucinado, resolvessem bombardear a Chechénia, a Rússia possivelmente até lhes agradeceria.

Não vale a pena dar demasiada importância a estas centenas de comentários nas redes sociais, que exibem duas características que andam vulgarmente juntas: o preconceito e a ignorância. A segunda resulta por hábito na primeira. Os perigos da falta da educação são vastos e tão imprevisíveis como os mísseis de Pyongyang: podem fazer pontaria ao Havai e afundar a ilha de Tonga na Oceânia ou destruir a própria base norte-coreana que os lança. Em princípio, os Michael Matthews não chegam a Presidente dos Estados Unidos, embora revelem conhecimentos geográficos semelhantes aos de George W. Bush (que era capaz de invadir uma potência estrangeira por causa de um episódio semelhante). E, já agora, uma capacidade de cálculo matemático semelhante à de Vítor Gaspar.

Na América de Michael Matthews, Portugal estaria debaixo de fogo. A capital da República Checa, toda a gente sabe, é Braga (Praga, Braga, Fraga, vai tudo dar ao mesmo) e, perante um bom míssil americano, não haveria Bom Jesus que lhe valesse. Apercebendo-se do erro, e aproveitando a proximidade geográfica, o Presidente Mathews talvez tratasse de pedir perdão a Bucelas, ali mesmo na região saloia, que, como se sabe, é onde se tomam as grandes decisões sobre o futuro da Europa. Ou talvez enviasse um emissário, especialista no conflito israelo-palestiniano, em Belém... do Pará.

São confusões muito naturais, para quem está habituado a ver Berlim no New Hamsphire, Paris no Texas, Amesterdão no Massachusetts, Roma na Georgia e Londres no Minnesota. Aproveitando a quadra, eu cá vou aproveitar e fazer uma peregrinação até à Póvoa de Santa Iria. Sempre é mais perto, para quem parte de Lisboa: poupam-se os joelhos e o resultado é basicamente o mesmo.