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HERBIE HANCOCK Divertimento de uma criança de 80

Música

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O concerto de Herbie Hancok no CCB, visto por André Pinto

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 O concerto a solo de Herbie Hancock começou com pegadas ao piano, Footprints, tema que Wayne Shorter compôs para Miles. Depois o pianista avançou para o seu próprio reportório, com o clássico Maiden Voyage, ainda ao piano, mas desta vez acompanhado por sons orquestrais pré-gravados, de cordas, segundo o próprio explicou "sintetizadas", num ambiente muito fílmico. Depois da banda sonora, Hancock saltou para o sintetizador. Se antes os ambientes oscilavam entre as ambiências mais próximas da chamada música erudita (Prokofiev ou o Impressionismo de Debussy e Ravel), agora o Funk passava a dominar com grandes batidas processadas e a tecnologia a vencer o classicismo. A partir desse tapete sonoro (também pré-gravado) o músico ia improvisando (antes, ao piano, chegara a tocar a partir da partitura, à qual voltaria). Houve tempo para passagens obrigatórias por Cantaloupe Island e Rockit com algumas e naturais diferenças consideráveis em relação ao original dos anos 60 e também ao tema emblemático breakdance do "choque futurístico" da década de 80. E o resto do concerto passou-se sempre nesta alternância, com o músico a divertir o público, que reagiu da melhor maneira, e ele próprio divertidíssimo, entre o intimismo ao piano e a extroversão electrónica, pegando também na guitarra com teclado, keytar, e fazendo uso de grande irreverência e um incrível - ainda para mais quase aos 80 anos - sentido infantil de provocação.

 

Herbie Hancock, CCB, 9 de Novembro 2012