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Amadou & Mariam: Bem-vindos ao Mali

Música

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O JL falou com Amadou & Mariam, um dos grandes nomes da 15.ª edição do Festival Músicas do Mundo de Sines, a decorrer desta quinta-feira, 18, até 27 de julho. Antes de subirem ao palco do Castelo (a 18, à meia-noite e meia), tocam na Casa da Música, no Porto, amanhã, terça-feira, 16, às 21.  

Carolina Freitas

São um raro caso de popularidade da world music, um universo geralmente à margem do mainstream. Depois do êxito do quarto disco de originais, Dimanche à Bamako, de 2004 (um dos mais vendidos de sempre na história do continente africano), o duo Amadou & Mariam, do Mali, conquistou o mundo com o seu cruzamento de música africana, rock e blues. E com a sua história de amor. Amadou Bagayoko (guitarra e voz) e Mariam Doumbia (voz) conheceram-se, no início da década de 70, no Instituto para Jovens Cegos do Mali, através da música, na Orquestra da instituição, a que ambos pertenciam. Nunca mais se largaram. Regressam, agora, oito anos depois, ao palco do Festival Músicas do Mundo, de Sines, com um novo disco na bagagem, Folila. Na próxima quinta-feira, 18, à meia noite e meia, no Castelo.

JL: São, provavelmente, o grupo africano mais conhecido da atualidade. Mas há sempre 'principiantes'... Como lhes descreveriam a vossa música?

Amadou & Mariam:
Começámos por fazer música africana e, mais tarde, misturámo-la com blues e rock. Em Bambara [língua falada no Sul do Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné e Senegal], Folila, o nome do nosso novo álbum, significa música. O principal objetivo deste disco foi convidar o máximo de músicos possível - e são mais de 30! -, para nos ajudarem a criar a nossa folila.  

Em reação à situação no Mali, colaboraram na canção Mali-ko (Paz), juntamente com mais de 40 dos principais músicos do país. Em que medida pode a música ser uma forma de resistência?

A música deixa sempre uma marca profunda no público. É por isso que queremos usá-la para comunicar e difundir mensagens que poderão levar as pessoas a pensar. É importante que se saiba que, no Mali, a música tem sido sempre um meio para resolver problemas entre as pessoas comuns. Mas também tem sido sempre um instrumento de mudança política. Além da Mali-ko, com o grupo Voices United For Mali, fizémos uma outra canção, só nossa, também de resistência, chamada On Veut La Paix. Quase todos os artistas do Mali escreveram e continuarão a escrever canções de luta contra a guerra e a favor da paz.    

Como veem a atual situação do país, depois de os rebeldes terem, finalmente, assinado um acordo de paz com o Governo?

Os últimos acontecimentos mostram que, eventualmente, as coisas começam a mudar. Além do acordo de paz, foram anunciadas eleições democráticas para o final de julho. São sinais muito positivos, que nos levam a acreditar que o Mali está prestes a viver dias melhores.