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Lisboa em Festa

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A celebração do Sto. António, em Lisboa, é pretexto para um conjunto de iniciativas de cariz cultural. As Festas de Lisboa, decorrem até 1 de julho, em vários pontos da cidade e incluem concertos, peças de teatro, dança, sessões de poesias, exposições, gastronomia e muito mais. A presidente do conselho de administração da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, explica ao JL o que esperar desta edição das festas, que já contam com 25 anos de história

Pedro Henrique Miranda

A celebração do Sto. António, em Lisboa, é pretexto para um conjunto de iniciativas de cariz cultural. As Festas de Lisboa, decorrem até 1 de julho, em vários pontos da cidade e incluem concertos, peças de teatro, dança, sessões de poesias, exposições, gastronomia e muito mais. A presidente do conselho de administração da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, explica ao JL o que esperar desta edição das festas, que já contam com 25 anos de história

Em que assenta a programação desta edição das Festas de Lisboa?

Joana Gomes Cardoso: este ano a programação foi pensada em torno de três eixos. Por um lado, assumir a dimensão popular e tradicional que é a essência destas Festas. Num momento em que Lisboa vive intensamente o turismo é porventura ainda mais importante celebrar o que é distintivo na cidade, de uma forma que não seja essencialista e fechada. A programação infantil é outra das apostas deste ano, com várias propostas, ao longo de um mês, em diversos locais da cidade, na expectativa de criar hábitos culturais junto dos mais novos, que perdurem além das Festas. Por último, a celebração de Lisboa como Capital Ibero-Americana de Cultura, permitiu-nos olhar para a América Latina que tem um universo cultural muito rico.

Em que é que essa celebração se traduz, mais concretamente?

Joana Gomes Cardoso: em vários espetáculos únicos: as noites do Fado no Castelo que este ano se cruzam com flamenco, chorinho e tango, reunindo alguns dos nomes maiores do fado, como Ana Sofia Varela, Marco Rodrigues ou Ricardo Ribeiro, com artistas reconhecidos de Espanha, Argentina e Brasil; o Festival Soy Loco por Ti, America – numa inspiração da famosa música escrita por Gilberto Gil e José Carlos Capinan – que leva até aos Jardins do Palácio Pimenta do Museu de Lisboa música, leitura e gastronomia do Perú, Cuba, Argentina e Brasil, com concertos de nomes maiores como Susana Baca e Chico César; e o Baila Comigo Lisboa que convida toda a cidade para um grande baile à beira rio, na Praça do Comércio, com as atuações de dois grupos históricos, os cubanos Los Van Van e os ciganos Gipsy Kings. Reforçando a dimensão inclusiva das Festas, vamos encerrá-las com um grande baile cigano numa das suas praças mais nobres.

Há alguma diferença significativa em relação à programação de anos anteriores?

Joana Gomes Cardoso: a ênfase na programação infantil, essa vontade de criar hábitos que fiquem para lá das festas. Associamos a programação de vários espaços geridos pela EGEAC, que ao longo do ano trabalham de forma muito consistente esta dimensão de “serviço educativo”, que não se esgota no público infantil. E muitas das opções de repertório foram influenciadas pelo facto de Lisboa ser a Capital Ibero Americana de Cultura este ano. Finalmente, desafiámos os Lisboetas a fotografar as montras das “lojas com história” da cidade, numa tentativa de promover a memória da cidade através das Festas.

Nesta época, as festividades tendem a um cariz bastante boémio. A programação cultural é promovida como forma de combater isso?

Joana Gomes Cardoso: não, diria até que as Festas se querem boémias, mas isso não significa que não haja espaço para propostas de fruição cultural com qualidade, de que é exemplo, apenas para citar uma, o festival Soy Loco por Ti América, que cruza música com literatura e poesia.