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Correntes d'Escritas: De nuestros hermanos

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O encontro de escritores de expressão ibérica está de regresso, de 21 a 23. Três dias de mesas-redondas, lançamento de livros e muita literatura. Conheça aqui os livros de autores estrangeiros que vão ser lançados 

Além dos autores de língua portuguesa, nas Correntes são ainda lançados três novos romances de outros tantos escritores espanhóis, mantendo vivo o espírito ibero-americano que anima o encontro desde a primeira edição.

A Praia dos Afogados (Sextante, 424 pp, 17,70 euros) é o primeiro policial do galego Domingo Villar a ser publicado em Portugal. É a revelação de um dos nomes mais destacados da novela negra e de um inspetor com muitos e fiéis leitores. Auxiliado por Rafael Estévez, Leo Caldas tem um caso bicudo pela frente, desencadeado pelo corpo de um marinheiro que foi arrastado pela maré até a uma praia. Seria mais uma tragédia ligada à pesca, como tantas outras que a costa galega tem conhecido, não se desse o caso daquele homem ter sido encontrado com as mãos amarradas. Inicia-se assim uma investigação pelos meandros da comunidade piscatória.

Um cadáver, um manuscrito perdido e um comissário. A Marca do Herege, o mais recente romance da galega Susana Fortes (Porto Editora, 224 pp, 16,60 euros), também tem todos os ingredientes de um bom policial e dos thrillers que, entre o enigma e a religião, conquistaram leitores em todo o mundo. Tudo se passa numa misteriosa e peregrina Santiago de Compostela, de cuja catedral desapareceu o códice de Prisciliano, um conhecido herege espanhol do século IV. A notícia surge pouco depois de um jovem ter sido encontrado morto na mesma igreja. Nesta investigação, o comissário Castro terá a ajuda de dois jornalistas, até porque se trata de um caso que envolve ecologistas, peregrinos, professores universitários, tubarões das finanças e padres.

Nascido em Saragoça, em 1960, Ignacio Martínéz de Pisón é um dos mais premiados (por contos, ficções e narrativas) escritores da sua geração e tem sido regularmente publicado em Portugal, sempre pela mão de Carlos da Veiga Ferreira. E é na nova chancela do editor que sai o seu mais recente romance, O Dia de Amanhã (Teodolito, 290 pp, 16 euros). Passada durante o franquismo, esta é a história de Justo Gil, um emigrante ambicioso que se torna íntimo da política política do regime, a Brigada Social. Com isso, entrará em contacto com muitas histórias de vida que, interligadas, se afirmam como um fresco da sociedade espanhola antes da Transição Democrática.