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Conferência Portugal e o Holocausto

Ideias

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Portugal e o Holocausto - conferência na FCG

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Aprender com o passado, ensinar para o futuro é o subtítulo da conferência Portugal e o Holocausto que a Fundação Calouste Gulbenkian, a Embaixada dos Estados Unidos e a Fundação Luso-Americana organizam, a 29 e 30 de outubro, na FCG. A 29, inaugura  a exposição Os Refugiados do Holocausto em Portugal. Patente até 4 de novembro

Francisca Cunha Rêgo

"O Holocausto não se passou há 500 anos, noutro continente. É urgente aprofundar o que aconteceu e perceber por que aconteceu. Para que nunca se volte a repetir", diz Allan J. Katz, embaixador dos Estados Unidos, num encontro com jornalistas na Fundação Calouste Gulbenkian, poucos dias antes da abertura da conferência internacional Portugal e o Holocausto, que decorre a 29 e 30 de outubro.

No mesmo encontro, Eduardo Marçal Grilo, administrador da FCG, reforçou o "cunho pedagógico" desta conferência e Maria de Lurdes Rodrigues, presidente da Fundação Luso-Americana, que também se associa a esta iniciativa, acrescentou a "importância do debate académico" sobre estas matérias.

A 29, serão debatidas em sessões simultâneas As Relações Políticas e Diplomáticas, O Discurso Cultural do Holocausto, O Futuro da Investigação sobre Portugal e o Holocausto e Memória, Percurso e Identidade. Estas sessões destinam-se fundamentalmente a investigadores. A 30, decorrem vários painéis de discussão, destinados ao público em geral (mediante inscrição), e dedicados à Educação. A partir das 9 e 30, o painel Ensino do Holocausto em Portugal. Moderação de Carlos Pais (embaixador, representante de Portugal na Task Force Internacional para a Educação, Memória e Investigação do Holocausto) com Marta Torres, da Associação do Professores de História, Luís Filipe Santos, pelo Ministério da Educação e Ciência e Esther Mucznik, presidente da Associação Memoshoá. Pelas 11, debate-se o Ensino do Holocausto: Experiência Local, com um 'encontro histórico' entre o embaixador dos Estados Unidos, o de Israel (Ehud Gol), da Alemanha (Helmut Elfenkamper) e da Áustria (Bernhard Wrabetz). Pouco depois Ensino do Holocausto: Lições Aprendidas com Organizações Internacionais. Estarão presentes representantes do Yad Vashem (Centro Mundial para a investigação e educação do Holocausto), da Fundação Shoah e do Museu do Holocausto.

Ensinar a Próxima Geração é o título genérico da sessão que se inicia às 14 e 45, moderada por Isabel Alçada, com as participações de professores de várias escolas nacionais mostrando exemplos de trabalhos desenvolvidos com os seus alunos sobre a temática do Holocausto. Às 16, palestra com Deborah Lipstadt, prof.ª 'Dorot' de História Judaica Moderna e de Estudos do Holocausto, na Universidade de Emory. Autora de The Eichmann Trial, History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier ou de Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory. O discurso de encerramento estará a cargo do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.

Paralelamente à conferência, a 29, pelas 18, abre a exposição Os Refugiados do Holocausto em Portugal. "Um dos objetivos desta mostra é expor as contradições de um regime autoritário, mas neutral, acerca dos refugiados que vieram para Portugal. Temos muito material fotográfico e algumas 'pérolas' diplomáticas, bem como diversos relatórios da PIDE sobre como os refugiados se movimentavam no nosso país", explica António Costa Pinto que (com Paulo Jorge Fernandes) é o consultor científico da exposição. A partir das 18 e 30, concerto Música e Memória do Holocausto, pela Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo. Um pouco mais tarde, pelas 19, exibição de Testemunhos, documentário de Esther Mucznik, estudiosa das questões judaicas e vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, que lançou há pouco tempo o livro Portugueses no Holocausto.