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Correntes d'Escritas: Miguel Miranda

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Mesas redondas, visitas a/às escolas, exposições, sessões de poesia e de cinema. As Correntes d'Escritas são tudo isso, mas também sinónimo de novos romances, coletâneas de contos e volumes de poesia. Este ano não é exceção. Ao longo do encontro vão ser lançados 16 novos livros. Leia agora sobre o de Miguel Miranda

A PAIXÃO DE MIGUEL MIRANDA

Três anos, três livros, dois apresentados nas Correntes. Dai-lhes, Senhor, o Eterno Repouso, em 2011, e nesta edição A Paixão de K (Porto Editora, 184 pp, 15,50 euros). Pelo meio ficou Todas as Cores do Vento e muitas horas de escrita. É uma receita que este médico não se cansa de prescrever a si próprio, com bons e abundantes resultados (tem pronto um livro de contos e já está a preparar o próximo). Depois de um romance policial passado no Porto e de uma história centrada num prédio que reunia diversas religiões, neste livro Miguel Miranda, 56 anos, foca-se na atualidade, no mundo das artes e nas volúpias do amor. Tempo e lugar? A Londres dos distúrbios de 2011, que puseram a cidade a ferro e fogo. Personagens? Perfecto Cuadrado, um habilidoso pintor, e Josephine K, uma misteriosa mulher. Enredo? Uma paixão arrebatadora e talvez fatal.  

 

E podem as paixões ser fatais ou insensatas, como se sugere neste livro? 

Podem. Este livro é sobre elas. Sobre as paixões eruptivas e caóticas que podem levar as pessoas a atos impensáveis, a sentir coisas inimagináveis. Eis o mistério e a magia da paixão. E como a literatura vive de tudo o quanto é dor este é um tema literário por excelência. 

 

Para Perfecto Cuadrado a vida é uma sucessão de planos. Concorda com o seu personagem? 

A perspetiva da personagem nem sempre coincide com a do autor... Mas posso dizer que a vida é uma sucessão de vidas, uma viagem de eternos regressos ao passado. Este livro é também sobre isso: a intersecção entre as memórias e o presente. 

 

Com que cores definiu este pintor? 

É um artista muito caleidoscópico na sua paleta de cores. E além de tons, utiliza quase todos os sentidos, o tato e o olfato. Recorre ainda aos sentimentos porque acima de tudo é um pintor de memórias, que flutuam como papagaios de papel sobre a sua vida. 

 

Depois da religião, volta a abordar um assunto do nosso tempo. Interessa-lhe a ficção que reflete sobre a atualidade?

Tal como o mundo da arte é um alfobre de ideias e de histórias que interessam ao comum dos mortais, a realidade é uma boa base para a ficção, até porque muitas vezes ultrapassa a ficção. E interessa-me escrever a partir do que se passa no meu tempo, do passado mais ao menos recente até ao agora. No fundo, procuro partir da realidade em voo rasante e, no fim, construir uma história.