Jornal de Letras

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Poeta de bosta na bota

Três Pastorinhos

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Bucólicas histórias dos verdes prados do pastoreio, onde só boas ovelhas negras encontram a poesia das pequenas coisas

Pastor Pelejão

O poeta olhava compenetradamente os lírios do campo, tentando a todo o custo extrair das flores a sua essência poética. Avançou decidido até ao canteiro e distraído pisou uma copiosa bosta de vaca que por ali pastava.

Pela primeira vez na sua vida literária o poeta osou uma genuína exclamação poética, uma sonora verdade que nunca antes descortinara no seu floreado de palavras vagas, angustiosas e mundanamente enconadas.

O poeta declamou alto e em bom som:

- Que bela merda.

E os lirios aplaudiram comovidos a exuberância de um lirismo murcho.

Nada como ter um bocado de bosta na bota para encontrar a poesia das pequenas coisas.