Jornal de Letras

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O diabo e as patinadoras artisticas da Hungria

Três Pastorinhos

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Quando se dá guarida ao diabo, podemos pelo menos pecar descansadamente na pacatez do lar e ter sonhos libidinosos com patinadoras artisticas de Budapeste

Mike Fingers

O diabo bateu-me à porta. Tinha o ar gasto e cansado de um solitário caixeiro-viajante e por isso meteu-me dó.

Entrou, convidei-o a sentar-se no sofá. Ele agradeceu timidamente, cofiando nervosamente o mefistotélico cavagnaic.

Preparei-lhe um whisky com gelo e um rum puro para mim. Bebemos lentamente e em silêncio assistimos na TV às finais do Campeonato do Mundo de Patinagem Artística.Já meio bebido, dormitou no sofá.

Tapei-o com a velha manta do campismo no Inatel e fui meter-me na cama para ler mais uma revista porca, já que as piruetas das patinadoras húngaras misturadas com o rum me tinham deixado razoavelmente entesoado.

Pelo menos da sala não viria nenhum juízo moral, apenas um suave aroma a enxofre blended.