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É preciso ter tomates... ou batatas

Três Pastorinhos

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"Um pai Natal bêbado chamado Cristiano Ronaldo exibiu o seu pénis oblíquo durante uma catástrofe natural em Benfica, e ainda se deu ao desplante de cantar uma música da Lady Gaga em dueto com um sósia do Justin Bieber para ver se comovia o Boucherie dos Ídolos.Chocada com este incidente, Oprah Winfrey decidiu fazer um debate na TVI com um coelhinho a violar um gato que estava perdido desde que a sua dona passara a tarde a fazer sexo com um cientista nuclear em lingerie no Irão, como foi revelado pela WikeLeaks. Como se sabe, no Irão, os homens estão proibidos de usar lingerie da Victoria Secrets, que a propósito revelou a sua coleção de soutiens para o próximo ano num dos dez vídeos mais vistos do You tube. Enquanto isso, em Estocolmo, na atribuição do prémio Nobel da Quimica, o cientista Jan Nortelius, resumia a sua equação química para combater a crise do crédito: Sexo, sexo, sexo, sexo oral, sexo anal, sexo e mais sexo, as vezes que a palavra sexo forem necessárias para gerar mais page-views no Google e impulsionar as vendas de I-Pads da Apple." Parece que esta notícia não faz muito sentido, mas tem as palavras-chave todas para ser um sucesso de page views. Prepare-se, que um dia as notícias vão ser todas assim, e a culpa é de quem? Sua, porque está a ler esta trampa. Passemos por isso ao que aqui me trás, a filosofia da batata.

Pastor Pelejão

Antoine Parmentier Agostinho é uma personalidade decisiva na cultura francesa e europeia. Este farmacêutico e químico a soldo de Luís XV esteve prisioneiro nas masmorras prussianas e usou o seu tempo de cativeiro para benefício da humanidade, especialmente da barriguinha da humanidade, que muito forro deve a este visionário. 



Foi ele que descobriu a riqueza nutritiva de um tubérculo espapaçado que era servido aos porcos e aos prisioneiros franceses da Guerra dos Sete Anos, e mais tarde converteu os seus compatriotas aos benefícios do tubérculo oriundo do Peru, introduzido na Europa no séc. XVI pelos espanhóis.



A batata entrava assim de rompante na dieta europeia. Graças a ela e à falta de métodos contraceptivos eficazes a demografia sofreu um forte impulso, já que a batata prosperava em solos pobres e oferecia valor nutritivo suficiente para alimentar famílias de dez pessoas.



A batatinha, ou a falta dela, foi também decisiva para o desfile de St. Patrick`s Day nas principais cidades norte-americanas.

O santo padroeiro irlandês foi impotente para travar uma epidemia que dizimou o sustento de centenas de milhares de irlandeses durante a fome da batata (metade da população da ilha morreu de fome), que esteve na base do grande surto migratório para os Estados Unidos da América, que mais tarde deu origem ao clã Kennedy.



Sem batata não havia "Happy birthay mr. President" de Marylin Monroe para ninguém. Isto só para ver o extenso nexo de causalidade entre um fungo numa batata da Irlanda e a iconografia do sex-symbol americano.



Arranco da terra esta batata com corpo meio taralhoco.  Olho para ela com respeito e veneração. Como é que um simples tubérculo pode ser tão poderoso e estar na base de tão fortes convulsões ao longo da história?



Os aceleradores de partículas e a crise digestiva da indústria da alta finança de Wall Street, a conquista do espaço, o testamento político de Marques Mendes, e a nova série dos Gato são, quando comparados com a batata, meras pintelhices na grande floresta púbica da humanidade. 

Depois do trigo e do arroz, a batata é o terceiro alimento mais consumido no mundo.



Wall Street e o capitalismo especulativo e ganancioso podem ruir como um castelo de cartas, com consequências dramáticas para a Economia mundial, mas nada comparado com o verdadeiro cataclismo que se geraria, se de repente uma entidade extra-terreste decidisse gamar todas as batatas do mundo



Nada como olhar para uma simples batata na palma da mão para colocar tudo sobre perspectiva. Enquanto houver batatas para o puré, estamos safos.

Se o Estado quer nacionalizar alguma coisinha, comece pelas plantações de batatas.



Eu cá, perante a crise financeira mundial que me vai impedir de ter crédito para comprar um carrinho novo, já estou a tratar do meu futuro.



E o meu futuro é a cavar batatas na Beira Baixa, o único petróleo que o meu Avô Manel tem por lá. Estou já antecipar-me ao regresso à agricultura de subsistência e também planeio plantar tomates. Levo uns musicais do Fred Astaire para contar aos meus netos quão próspero era o mundo.