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A Enciclopédia de Afonso Cruz

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É um projeto borgiano por excelência, uma biblioteca infinita que coleciona histórias, pensamentos, definições e parábolas de autores reais ou imaginários. É a Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz, agora no seu terceiro volume. Mais um exemplo da inesgotável imaginação do escritor, ilustrador e músico, que em pequenas entradas de A a Z vai tecendo enredos que explicam filosofias e expondo pensamentos que atam nós de uma narrativa mais vasta. Para isso, recorre à sabedoria que a Humanidade acumulou ao longo dos séculos ou inventa ele próprio novas teses e conceitos, sempre heterodoxos. Este terceiro volume sucede a tomo inicial, de 2009, que valeu a Afonso Cruz, 41 anos, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, e à Recolha de Alexandria, do ano passado. Este leva como subtítulo Arquivos de Dresner (Alfaguara, 112 pp, 12,90 euros), em homenagem ao autor destes verbetes

É um projeto borgiano por excelência, uma biblioteca infinita que coleciona histórias, pensamentos, definições e parábolas de autores reais ou imaginários. É a Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz, agora no seu terceiro volume. Mais um exemplo da inesgotável imaginação do escritor, ilustrador e músico, que em pequenas entradas de A a Z vai tecendo enredos que explicam filosofias e expondo pensamentos que atam nós de uma narrativa mais vasta. Para isso, recorre à sabedoria que a Humanidade acumulou ao longo dos séculos ou inventa ele próprio novas teses e conceitos, sempre heterodoxos. Este terceiro volume sucede a tomo inicial, de 2009, que valeu a Afonso Cruz, 41 anos, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, e à Recolha de Alexandria, do ano passado. Este leva como subtítulo Arquivos de Dresner (Alfaguara, 112 pp, 12,90 euros), em homenagem ao autor destes verbetes 

 

Quem é este Isaac Dresner?  

Um editor e livreiro que nasceu na década de 1920, tendo vivido em Dresden durante a Segunda Grande Guerra. Mudou-se para Paris depois de terminada a guerra, casando-se com a pintora metacubista Tsilia Kacev. Dresner gostava de livros mais ou menos esquecidos, procurava autores obscuros e publicava-os na sua editora chamada Eurídice! Eurídice!. Tinha uma avó que sonhava com a Biblioteca de Alexandria e um avô assassinado por um mordomo que não compreendia metáforas e que trabalhava na casa do Coronel Gustav Möller. Os verbetes selecionados para este volume pertencem às versões da enciclopédia que Dresner tinha em seu poder.

 

E os índios Abokowo, a quem é dedicado este volume da Enciclopédia?

Um povo da bacia amazónica que mantém um sistema de crenças mais ou menos transversal a outros indígenas da mesma região. Alguns destes índios nunca viram brancos e afastam-se dos rios navegáveis para evitar qualquer contacto. Uma das suas características mais conhecidas são os pequenos saltos que costumam dar enquanto falam.

 

Também se aborda a poesia de Petar Stamboliski. Como é que ela se cruza com os Abokowo?

Stamboliski viveu muitos anos com os índios Abokowo. O maior estudioso da sua poesia foi Kaspar Möller que percorreu todos os lugares onde o poeta viveu, desde o Monte Athos à selva amazónica, tendo convivido também com os Abokowo.

 

Os próximos volumes também terão uma unidade temática?

O próximo terá apenas uma entrada. Ou talvez duas.

 

No fim, apresenta-se uma considerável bibliografia. A Enciclopédia é acima de tudo um diálogo literário e filosófico?

Sim, sem esquecer a ciência e a religião, mesmo - ou especialmente - nas suas vertentes mais obscuras e marginais. Todas as formas que o conhecimento assume são essenciais para a enciclopédia. E para mim.