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FICLO: Cinema e Literatura no Algarve. Entrevista com Débora Mateus

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The Wild Boys, de Bertrand Mandico

O primeiro Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão decorre, de 4 a 13 de abril, em vários espaços daquela cidade algarvia. A russa Kira Muratova é homenageada e a Suécia é o país convidado. Mas o festival conta com vários momentos especiais, com destaque para as sessões em que os escritores Gonçalo M. Tavares, Alexandra Lucas Coelho e Nuno Moura entram em diálogo com clássicos do cinema mudo. O JL falou com Débora Mateus, uma das diretoras do festival.

O primeiro Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão decorre, de 4 a 13 de abril, em vários espaços daquela cidade algarvia. A russa Kira Muratova é homenageada e a Suécia é o país convidado. Mas o festival conta com vários momentos especiais, com destaque para as sessões em que os escritores Gonçalo M. Tavares, Alexandra Lucas Coelho e Nuno Moura entram em diálogo com clássicos do cinema mudo. O JL falou com Débora Mateus, uma das diretoras do festival.

JL: Como surgiu a ideia de fazer um festival de literatura e cinema?
Débora Mateus: Há muitos festivais de cinema. E também há muitos de literatura. E há poucos que façam a ligação entre as duas coisas. Os poucos que existem se centram muito nas adaptações de obras literárias. A nossa proposta é fazer algo diferente.

Se não se centraram nas adaptações que outras ligações à literatura procuraram?
Na competição internacional, por exemplo, temos vários filmes que partem de poemas, como Aniara, de Pella Kagerman e Hugo Lilja, e Little Crusader, de Václav Kadrnka (com a presença dos realizadores nas sessões). The Wild Boys, de Bertrand Mandico, que, apesar de não ser inspirado em nenhum livro, entendem-se logo uma série de referências literárias. Ou Delta, de Oleksandr Techynskyi, um filme poema, à volta do Danúbio, que nos faz lembrar o livro de Claudio Magris. Para não falar de The Gentle Indifference of the World, de Adilkhan Yerzhanov, o filme de abertura do festiva, cujo próprio título é tirado de O Estrangeiro, de Albert Camus, mas não se trata de uma adaptação do livro. Já agora, acrescento que haverá uma refeição inspirada neste filme preparado pelo chef Adérito de Almeida. Claro que, no meio disto tudo, também temos algumas adaptações.

Sabendo-se que todo o cinema parte da escrita, qual é o critério para que um filme passe no festival?
Tem que ter uma ligação com a literatura. Essa ligação pode ser ampla, mas o comité de seleção tem que a perceber. E procuramos novas formas de ver a literatura no cinema.

Há uma sessões especiais com escritores. De que se trata?
Na secção obra criativa convidamos quatro escritores para, a partir de um filme mudo, escrevesse um texto que entre em diálogo com o filme. Cada um fará um performance a partir daqui. Alguns dirão o texto em palco. Tal será feito durante a projeção.

O que haverá de filmes portugueses?
Our Madness, de João Viana, está na competição nacional. Fala da poesia de João Craveirnha e João Maria Vilanova através das falas das personagens. Depois temos um filme sobre o dramaturgo Rogério de Carvalho, de Pedro Castanheira; e Porta 21, de João Marco, um neo noir realizado inteiramente em Olhão.

O festival é descentralizado, realizando-se em Olhão. Quais são as expetativas?
Esperamos que o festival tenha muito adesão. Decidimos que apenas no Auditório as entradas serão pagas. Na República 14 e no Progresso Olhanense a entrada é gratuita. É uma forma de trazer mais público da região.