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Ela Vaz apresenta primeiro álbum "Eu"

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eu | ela vaz

Após dar rosto e voz a diversos trabalhos musicais na área do fado e da música popular, Ela Vaz apresenta o seu primeiro disco de estreia Eu

Manuel Halpern


JORNAL DE LETRAS Não se sabe se fica aquém ou além do fado. O primeiro álbum de Ela Vaz é fruto de um percurso rico e variado, que não se confinou a um género. Influenciado pelo seu irmão, o produtor Rui Vaz, entretanto falecido, Ela concorreu à grande noite do fado, em 2007, colocando um pé bem assente na tradição. Mas, sem perder o fado de vista, arriscou umar por outros mares, integrando um dos mais improváveis projetos de fusão étnica, o Stockholm Lisboa Project, que unia as tradições portuguesa e sueca, com toques de música erudita.
É esse percurso invulgar que faz com que Eu, o seu álbum de estreia, afirme uma linguagem própria de forma tão consistente. O reportório, maioritariamente composto por originais, situa-se assumidamente entre o fado e outros cantares portugueses, nunca escondendo a influência de grandes cantautores, como José Afonso (Canção do Mar) ou José Mário Branco (Travessia do Deserto). Nos arranjos já se encontram os suaves contrastes, em que a guitarra portuguesa joga com as percussões de Quiné. A sua voz, segura e sóbria, madura e fresca, confere uma unidade espiritual aos 12 temas. Em Eu, Ela Vaz afirma-se como uma voz alternativa dentro da tradição portuguesa, entre o fado e o mundo.