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Entrevista com Nuno Severiano Teixeira: Uma nova História Militar

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Prof. catedrático e vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, dirigente do Instituto Português de Relações Internacionais, Nuno Severiano Teixeira (NST) foi ministro da Administração Interna e da Defesa Nacional. É autor de várias publicações nas áreas da História Militar, Relações Internacionais, Segurança e Defesa. Foi coordenador da Nova História Militar de Portugal, publicada, em cinco volumes, entre 2003 e 2004, e é o coordenador desta História Militar de Portugal, com textos seus, de Francisco Contente Domingues e João Gouveia Monteiro, e a chancela de A Esfera dos Livros (712 pp., 29,90 euros), que sera apresentado na sexta/feira, 7, as 18 horas, no Museu Militar de Lisboa, pelo ex Presidente da Republica, Jorge Sampaio, e pelo ministro dos Negocios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O JL ouviu NST sobre a obra

Prof. catedrático e vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, dirigente do Instituto Português de Relações Internacionais, Nuno Severiano Teixeira (NST) foi ministro da Administração Interna e da Defesa Nacional. É autor de várias publicações nas áreas da História Militar, Relações Internacionais, Segurança e Defesa. Foi coordenador da Nova História Militar de Portugal, publicada, em cinco volumes, entre 2003 e 2004, e é o coordenador desta História Militar de Portugal, com textos seus, de Francisco Contente Domingues e João Gouveia Monteiro, e a chancela de A Esfera dos Livros (712 pp., 29,90 euros), que sera apresentado na sexta/feira, 7, as 18 horas, no Museu Militar de Lisboa, pelo ex Presidente da Republica, Jorge Sampaio, e pelo ministro dos Negocios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O JL ouviu NST sobre a obra

Dada a curta bibliografia sobre a História Militar Portuguesa, este é um livro que faz História?
Está é a primeira História Militar de Portugal, num ponto de vista de síntese, publicada desde o clássico Portugal Militar, de Carlos Selvagem (1931), um livro marcado pela conceção da época, de uma historiografia positivista, mas ainda hoje uma obra fundamental. Entre 2003 e 2004, foi publicada a Nova História Militar Portuguesa, em cinco volumes, coordenada por mim e pelo general Themudo Barata, escrita por um grande nome de autores. Este novo livro é uma síntese global dessa obra.

Quais são as grandes diferenças em relação à perspetiva de Carlos Selvagem?
Em 1931, a História Militar era vista como a história das batalhas, dos heróis, dos estrategas. Sempre na perspetiva do acontecimento em si. A nova História Militar não deixa de abordar os acontecimentos, mas olha também para o contexto económico, social, das lutas políticas, da política internacional. E também para a experiência do combate e do combatente, para as questões psicológicas e culturais. E procura ainda de saber em que medida a guerra influencia a construção da identidade dos povos.

Já não se enaltecem só os grandes feitos, nem se buscam só os grandes heróis?
Ao contrário do que acontecia no paradigma anterior, em que o herói estava no centro da história, aqui, apesar de haver protagonistas, o herói não é apenas o rei ou o general. São também os soldados e as populações civis. Há um 'herói' coletivo.

Há todo um capítulo da história, sobretudo o século XX e XXI, que esta obra aborda pela primeira vez. Como foi trabalhar sobre a História mais recente?
À medida que nos aproximamos da contemporaneidade, as fontes não são apenas escritas e iconográficas, mas outras como a rádio, o cinema, a história oral, a estatística... O volume de dados aumenta. Desde a Idade Média aos dias de hoje abordam-se dois tipos de fenómenos militares: as guerras internacionais em que Portugal está presente e as intervenções internas, guerras civis e revoluções. No século XX temos dois grandes acontecimentos internacionais em que Portugal intervém: a I Guerra Mundial e a Guerra Colonial. Mas Portugal não deixa de ter uma presença na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial, em que foi neutro. Depois há um conjunto de intervenções internas importantes: o 5 de Outubro de 1910, em que se proclama a República, o 28 de Maio de 1926, que instaura a ditadura, e o 25 de Abril de 1974, que restabelece a democracia.

E que História Militar há para contar em tempos pacíficos?
As Forças Armadas em democracia começam a intervir em operações de paz, sob a égide das organizações internacionais a que Portugal pertence. As campanhas de guerra do passado transformam-se em operações de paz. JL