"Ei, PORTUGAL!", exclamaram dois jovens de cachecol ao pescoço e bandeira portuguesa na mão, quando nos viram chegar à praça Deák Ferenc, no centro de Budapeste, também com um cachecol com as cores nacionais, mas pendurado na mochila.

Nesta praça, está instalado um ecrã gigante, onde são transmitidos a maioria dos jogos do Euro 2012, senão mesmo todos. Tínhamos planeado parar duas horinhas por lá, depois de correr durante todo o dia para visitar a cidade, não só para enganar o cansaço, como também para acompanhar o desempenho da nossa seleção.

Os dois rapazes que nos viram ao longe tinham mais ou menos da nossa idade, e assim que nos aproximamos deles reconhecemos-lhes automaticamente um sotaque do norte do nosso país. Viemos a saber, pouco depois, que eram de Paços de Ferreira e que viajavam juntos já há algum tempo. Para a semana, a boa vida termina - um deles regressa a Madrid, cidade que o recebeu como estudante em Erasmus, o outro volta à terra-natal.

Encontrar pessoas que falam a mesma língua que nós, enquanto estamos em viagem, é sempre fantástico. A sensação de que até estamos um bocadinho em casa renova-se e torna-se mais forte. Mas, este sentimento consegue ser ainda melhor quando partilhamos algo mais do que a mesma língua.

Acabamos por ficar os quatro à espera que o jogo começasse, acreditando que só assim já teríamos força suficiente para dar muita luta aos adeptos alemães, holandeses e dinamarqueses que também quiseram acompanhar o jogo no mesmo local que nós. Surpreendentemente, minutos depois de escolhermos o melhor lugar, olhámos à nossa e já éramos duas mãos cheias de apoiantes portugueses, que erguiam as vozes das cores nacionais bem mais alto do que os restantes adeptos da praça húngara. E, timidamente, até o sol apareceu para brindar a nossa seleção.