Chegar a Varsóvia revelou-se uma sensação agridoce. Foi bom estar num dos países que recebia, este ano, a maior competição europeia de futebol, mas é, no mínimo, estranho conhecermos uma cidade onde tudo transpira Euro'12.  

Por isso mesmo, descobrir os verdadeiros espaços de Varsóvia, ou seja, aquilo que realmente caracteriza a cidade, para além dos novos estádios, dos ecrãs gigantes e das fans zones, foi um autêntico labirinto - tudo ficava escondido por um outdoor relativo ao Euro, o que é manifestamente lamentável. Assim como tudo estava propositadamente cuidado, preparado para receber adeptos eufóricos e despreocupados com a história ou com a verdadeira essência da cidade.

Aos poucos, e um bocadinho desiludidos, lá conseguimos encontrar os fascínios de Varsóvia - a construção rasteirinha e colorida, o uso e abuso do tijolo na denominada Cidade Velha, o orgulho no ressurgimento na Segunda Guerra Mundial, os monumentos e prédios históricos reconstruidos e o, ainda hoje, principal símbolo da cidade: a sereia de Varsóvia.

Escondida na euforia do Euro, é o orgulho na história e na reviravolta da Segunda Guerra Mundial que mais caracteriza a cidade e os seus habitantes. Por trás de um povo manifestamente fascinado com a parceria na concretização do campeonato europeu de futebol, existe um povo orgulhoso da sua história, capaz de conta-la e revivê-la, um povo sofrido mas vaidoso nas conquistas antepassadas. E por trás de ruas enfeitadas com demasiadas publicidades relativas ao Euro, existem ruas que lembram o sofrimento passado durante a Guerra e que se afirmam como exemplo para as gerações seguintes.

É, de facto, de Guerras e de história que Varsóvia é feita, sendo caracterizada por uma autêntica cidade ressurgida das cinzas. São inúmeros os museus, os monumentos, as estátuas e os memoriais sobre a Segunda Guerra Mundial. Muitos deles, apresentam constantemente flores recentes e cuidadas, sinal de que a mágoa histórica não é assim tão antiga e que ainda hoje é (re)vivida e (re)lembrada por muitos.