Por isso mesmo, descobrir os verdadeiros espaços de Varsóvia, ou seja, aquilo que realmente caracteriza a cidade, para além dos novos estádios, dos ecrãs gigantes e das fans zones, foi um autêntico labirinto - tudo ficava escondido por um outdoor relativo ao Euro, o que é manifestamente lamentável. Assim como tudo estava propositadamente cuidado, preparado para receber adeptos eufóricos e despreocupados com a história ou com a verdadeira essência da cidade.
Aos poucos, e um bocadinho desiludidos, lá conseguimos encontrar os fascínios de Varsóvia - a construção rasteirinha e colorida, o uso e abuso do tijolo na denominada Cidade Velha, o orgulho no ressurgimento na Segunda Guerra Mundial, os monumentos e prédios históricos reconstruidos e o, ainda hoje, principal símbolo da cidade: a sereia de Varsóvia.
Escondida na euforia do Euro, é o orgulho na história e na reviravolta da Segunda Guerra Mundial que mais caracteriza a cidade e os seus habitantes. Por trás de um povo manifestamente fascinado com a parceria na concretização do campeonato europeu de futebol, existe um povo orgulhoso da sua história, capaz de conta-la e revivê-la, um povo sofrido mas vaidoso nas conquistas antepassadas. E por trás de ruas enfeitadas com demasiadas publicidades relativas ao Euro, existem ruas que lembram o sofrimento passado durante a Guerra e que se afirmam como exemplo para as gerações seguintes.
É, de facto, de Guerras e de história que Varsóvia é feita, sendo caracterizada por uma autêntica cidade ressurgida das cinzas. São inúmeros os museus, os monumentos, as estátuas e os memoriais sobre a Segunda Guerra Mundial. Muitos deles, apresentam constantemente flores recentes e cuidadas, sinal de que a mágoa histórica não é assim tão antiga e que ainda hoje é (re)vivida e (re)lembrada por muitos.







