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FOTOS: Dois portugueses vão percorrer mais de 1200km de bicicleta por uma causa solidária

Voluntariado

Os dois amigos esperam angariar 1500 euros para a associação Médicos do Mundo durante a viagem de bicicleta até Santiago de Compostela. Um dos elementos da equipa falou sobre os preparativos com a VISÃO Solidária  

Quando decidiu, há três anos, deixar de ganhar dinheiro como organizador de eventos, passou a dar de comer a muitos lisboetas que antes passavam fome. Objetivo de vida: conseguir que Lisboa se transforme na primeira cidade livre de desperdício
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Quando decidiu, há três anos, deixar de ganhar dinheiro como organizador de eventos, passou a dar de comer a muitos lisboetas que antes passavam fome. Objetivo de vida: conseguir que Lisboa se transforme na primeira cidade livre de desperdício

Para alimentar quem se inscreve na associação (começou nas redondezas da igreja de Nossa Senhora de Fátima, mas agora já atua em Telheiras), teve de arranjar restaurantes que doasem as suas sobras.
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Para alimentar quem se inscreve na associação (começou nas redondezas da igreja de Nossa Senhora de Fátima, mas agora já atua em Telheiras), teve de arranjar restaurantes que doasem as suas sobras.

Na zona onde opera, de bicicleta, saúda as pessoas à sua desgovernada passagem em duas rodas.
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Na zona onde opera, de bicicleta, saúda as pessoas à sua desgovernada passagem em duas rodas.

Entra pelas cozinhas, à hora combinada, e carrega a mala com restos. Servem 500 refeições ao dia.
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Entra pelas cozinhas, à hora combinada, e carrega a mala com restos. Servem 500 refeições ao dia.

Na Refood ninguém recebe ordenado. Organizam-se com a boa vontade de quem quer ajudar. «Só pedimos duas horas por semana. Cada microsserviço equivale a dez refeições entregues em cabazes naquele dia.»
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Na Refood ninguém recebe ordenado. Organizam-se com a boa vontade de quem quer ajudar. «Só pedimos duas horas por semana. Cada microsserviço equivale a dez refeições entregues em cabazes naquele dia.»

Hunter está a estender o modelo ao resto da cidade, num regime de franchising: oferece a partitura, mas depois as orquestras locais têm de tocar sozinhas.
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Hunter está a estender o modelo ao resto da cidade, num regime de franchising: oferece a partitura, mas depois as orquestras locais têm de tocar sozinhas.

A sua voz, com sotaque marcadamente americano, apesar dos vinte anos que leva de Portugal, ecoa no estádio do Restelo vazio. Dá ordens. Todos lhe obedecem. «Andamos no sentido dos ponteiros do relógio, silenciosamente, mas cheios de alegria!»
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A sua voz, com sotaque marcadamente americano, apesar dos vinte anos que leva de Portugal, ecoa no estádio do Restelo vazio. Dá ordens. Todos lhe obedecem. «Andamos no sentido dos ponteiros do relógio, silenciosamente, mas cheios de alegria!»

Os representantes das 25 associações de solidariedade que ali juntou estão a gravar um clip para passar no concerto Portugal ao Vivo. Graças a Hunter, estiveram todos presentes neste festival («Um ótimo veículo de comunicação»), numa área lounge dedicada a ajudar os outros.
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Os representantes das 25 associações de solidariedade que ali juntou estão a gravar um clip para passar no concerto Portugal ao Vivo. Graças a Hunter, estiveram todos presentes neste festival («Um ótimo veículo de comunicação»), numa área lounge dedicada a ajudar os outros.

A Refood foi uma das associações que concorreram ao prémio EDP Solidária. E ganhou. Hoje é o dia da cerimónia de entrega, no Museu da Eletricidade. Antes , almoça com o filho num quiosque: hambúrguer e cola. Durante os discursos, aproveita para fechar os olhos. «Estou muito cansado», confessa.
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A Refood foi uma das associações que concorreram ao prémio EDP Solidária. E ganhou. Hoje é o dia da cerimónia de entrega, no Museu da Eletricidade. Antes , almoça com o filho num quiosque: hambúrguer e cola. Durante os discursos, aproveita para fechar os olhos. «Estou muito cansado», confessa.

Vai despachando as constantes chamadas com mensagens escritas. Quando sobe ao palco, é um homem satisfeito com os carros elétricos que conta receber para ajudar na recolha e entrega de comida.
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Vai despachando as constantes chamadas com mensagens escritas. Quando sobe ao palco, é um homem satisfeito com os carros elétricos que conta receber para ajudar na recolha e entrega de comida.

Quando decidiu, há três anos, deixar de ganhar dinheiro como organizador de eventos, passou a dar de comer a muitos lisboetas que antes passavam fome. Objetivo de vida: conseguir que Lisboa se transforme na primeira cidade livre de desperdício
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Quando decidiu, há três anos, deixar de ganhar dinheiro como organizador de eventos, passou a dar de comer a muitos lisboetas que antes passavam fome. Objetivo de vida: conseguir que Lisboa se transforme na primeira cidade livre de desperdício

Para alimentar quem se inscreve na associação (começou nas redondezas da igreja de Nossa Senhora de Fátima, mas agora já atua em Telheiras), teve de arranjar restaurantes que doasem as suas sobras.
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Para alimentar quem se inscreve na associação (começou nas redondezas da igreja de Nossa Senhora de Fátima, mas agora já atua em Telheiras), teve de arranjar restaurantes que doasem as suas sobras.

Na zona onde opera, de bicicleta, saúda as pessoas à sua desgovernada passagem em duas rodas.
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Na zona onde opera, de bicicleta, saúda as pessoas à sua desgovernada passagem em duas rodas.

Entra pelas cozinhas, à hora combinada, e carrega a mala com restos. Servem 500 refeições ao dia.
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Entra pelas cozinhas, à hora combinada, e carrega a mala com restos. Servem 500 refeições ao dia.

São atletas amadores, mas não se deixam amedrontar pelas subidas íngremes ou curvas apertadas. O professor de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Leria e investigador na área da mobilidade urbana Norberto Henriques, 36 anos, e o militar lisboeta Jorge Frazão, 33 anos, compõem a dupla que vai percorrer 1260km de bicicleta até Santiago de Compostela.

A partida está agendada para 27 de julho em Irún, Espanha. Depois, seguem-se dezassete dias de muita pedalada.

É a terceira vez que se juntam para rumarem a Santiago e ajudarem uma instituição de solidariedade social. Desta vez, foram os internautas que escolheram a organização apoiada através de uma votação online: a Médicos do Mundo.

Norberto Henriques e Jorge Frazão vão divulgar a instituição ao longo do percurso e esperam conseguir donativos no valor de 1500 euros. A quantia será usada para garantir o combustível necessário para a deslocação da equipa de rua da Médicos do Mundo ao Bairro Quinta da Fonte, em Loures, durante um ano.

Aqueles que quiserem apoiar a associação podem fazê-lo através do NIB 0035 0551 0009 108 930 59.

O percurso dos dois amigos, dividido em 17 etapas, pode ser acompanhado aqui.

O engenheiro informático Norberto Henriques falou com a VISÃO Solidária sobre os preparativos para a aventura.

Como é que se prepararam fisicamente para esta aventura? 

Praticámos uma modalidade específica de BTT, a orientação em BTT, enquanto atletas federados com alguma regularidade ao longo do ano. Mas também fazemos um esforço adicional nos dois meses que antecedem a viagem, reforçando os momentos de treino com percursos de BTT semelhantes aos que vamos encontrar na viagem.   

O  que vão levar convosco? 

Para além da bicicleta, levamos uma mochila com bens essenciais para a viagem, nomeadamente: um saco cama, uma muda de roupa de BTT, para além da que levamos vestida, alguma roupa interior, duas mudas de roupa casual, material de higiene, suplementos de nutrição desportiva da Evo Nutrition, ferramentas e algum material de substituição - câmaras de ar e elos de corrente, essencialmente.

Onde é que vão dormir durante os dias de viagem?

Os Caminhos de Santiago dispõem de uma infraestrutura de apoio ao peregrino que inclui uma série de albergues, uns municipais, outros privados, onde é possível pernoitar. A quantidade de albergues e a distância que os separa depende muito do Caminho em causa. Não possuem grandes luxos e o valor que pagamos inclui apenas um lugar para dormir, normalmente, em divisões partilhadas, com camas de beliche e um duche quente. Vamos recorrer a estes albergues para dormir, não só pelo custo relativamente reduzido, uma noite pode variar entre os 7 e os 12 ou 15 euros, mas também porque a própria experiência do Caminho é mais envolvente se incluirmos os albergues na logística, em detrimento da opção do alojamento em hotel.

Como é que as pessoas reagem à vossa passagem?

Como os Caminhos de Santiago são percorridos diariamente por muitas pessoas, os habitantes das localidades por onde o Caminho passa não estranham a nossa passagem. Da nossa experiência anterior, somos por norma muito bem recebidos, em particular, nas localidades mais pequenas.  No âmbito da campanha solidária, tentamos mostrar às o que estamos a promover. Na viagem de 2012 obtivemos um feedback muito positivo de alguns peregrinos com os quais trocámos algumas impressões, alguns deles chegaram, inclusivamente, a colaborar na campanha desse ano.

As pessoas mostram-se dispostas a contribuir para a causa que apoiam ou desconfiam? 

Nos dias que correm, infelizmente, é sempre difícil demonstrar a nossa idoneidade num projeto solidário que envolve a recolha de donativos. As pessoas ficam sempre com alguma dúvida sobre o destino da verba angariada ou se o mote da campanha é real ou um embuste. Para contrariar essa desconfiança, desde que o projeto Rumo a Santiago lançou a primeira campanha, tenho tentado obter a colaboração direta das instituições que o projeto apoia, para reforçar a imagem do projeto sério que é. Este ano em particular, a Médicos do Mundo, com a sua estrutura e empresas que colaboram com esta instituição, tem sido incansável na colaboração com o projeto Rumo a Santiago. O sucesso desta nossa campanha estará sempre associado à visibilidade e divulgação. Em 2012, o esforço empregue na divulgação do projeto foi imenso e graças a essa divulgação conseguimos terminar a campanha com um saldo positivo, embora tenhamos atingido apenas uma fração do objetivo inicialmente traçado. No ano passado, uma boa parte das contribuições que conseguimos angariar resultou da ajuda de amigos e conhecidos que foram abordados diretamente ou através das redes sociais. Este ano, esperamos conseguir ir um pouco mais além disso.