Visão Solidária

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Consciência Solidária

Miguel Pavão

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Sabia que oitenta por cento da população Norueguesa faz parte de uma ou mais Organização Não Governamental (ONG)?  E se eu lhe disser que metade dessa mesma população  participa ativamente em campanhas da sociedade civil, pelo menos uma vez ao ano, ficaria surpreendido?

A Noruega faz parte de uma das sociedades mais evoluídas do Mundo contemporâneo, o que significa que uma sociedade civil forte, participativa e solidária, representa sem dúvida um país mais próspero,  produtivo e democrático.

O papel que o cidadão comum desempenha, torna-se no elemento mais determinante para que uma sociedade possa melhorar e corrigir erros ou discrepâncias sociais . Os políticos que estão associadas aos centros de decisão  e pertencentes aos vários governos,  que alternam ciclicamente, ligados ou comprometidos com as cores partidárias, não têm geralmente em conta as ações discretas, mas meritórias do cidadão comum que atrás refiro .

Não se trata aqui de ter apenas em conta os indicadores sociais, horizontes a atingir ou dados estatísticos que indicam o sucesso ou desenvolvimento, mas tão só de conseguir melhorar as condições de vida, da dignidade humana e de felicidade de cada indivíduo. Embora importantes, estes dados que são muitas vezes impostos por Institutos de referência mundial, fazem com que nos esqueçamos que são as pessoas o objeto da mudança e que são elas quem devem estar em primeiro plano. De facto, é nas pessoas que reside o fator de mudança de uma sociedade e na capacidade de transformar as suas próprias vidas e as dos outros.

A lógica do "pensar global e atual de forma local", fundamenta-se exatamente na importância que a interação das pessoas tem umas com as outras, de forma a mudar a sua  atuação e  consciência.

No caso presente e no que respeita ao nosso País, que como sabemos e sentimos na pele está a atravessar momentos duros e críticos para uma grande parte da população, obriga-nos a refletir sobre como poderia ser diferente se porventura mudássemos os nossos procedimentos e em consequência a condição de vida. Se dissermos e até aceitarmos que existem pontos positivos num cenário de crise, cenário este onde se multiplicam os desabafos, se cruzam os argumentos e se ensaiam formas de correção de comportamentos e modos de viver, então podemos começar a pensar que estamos no bom caminho.

É exatamente nos momentos difíceis que conhecemos melhor as pessoas, as sociedades e o seu modo de lidar com os problemas. E de algum modo tem sido animador, verificar que nesses casos a solidariedade faz parte do carácter dos Portugueses, através da ajuda àqueles que mais precisam, se bem que numa ou noutra situação estes gestos funcionam mais por uma inércia de consciência.

Em boa verdade a solidariedade, não deve ser encarada como uma participação única ou de mero apontamento e não deve ficar exclusiva na sua utilização ao sector social ou reduzida às campanhas de ajuda ao próximo. A solidariedade é algo que deve ser estimulada e pode estar presente no modo de viver, de estar, de negociar e nos relacionarmos com os outros. É uma forma de assumir uma consciência de responsabilidade permanente, que ajudará a nosso sociedade a evoluir no bom sentido dando maior contributo para a resolução dos problemas.