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Apetece-me mesmo mandá-los às sementes!

Marta Vaz

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Palavra que ando mesmo farta de gente que deixa a coluna vertebral no cabide, como se fosse um casaco esquecido

Há dias assim, em que estamos por um fio! E, apesar de habituados a rombos, sentimos a violência da água no casco. As férias são, ainda, uma miragem, falta saúde aos que nos são queridos e, apesar da ténue descida dos números do desemprego, um grande amigo acaba de perder o dele. A minha prima é acusada, passado um ano - imagine-se, um ano! - de ter oferecido na cara a um pigmeu mentiroso que tem lá, na multinacional. Um aleijão encostado sabe Deus a quem, como o pé de feijão à estaca, se não cai. Palavra que ando mesmo farta de gente que deixa a coluna vertebral no cabide, como se fosse um casaco esquecido!

Claro que a dor dos nossos nos dói mais. Seja a dor do corpo ou da alma. E há momentos em que acontece um revés, mais ou menos sério, a cada um deles. Tudo ao mesmo tempo! Ainda se doer por atacado, doesse menos! Adiante.

Depois, olhamos para fora do núcleo duro e o país onde vivemos, apesar da minha vocação nula para saltimbanco, é um circo pobre e deprimente! Pensamos em homens do leme e só vemos navios à deriva, essencialmente, marinheiros que ambicionam ser outra coisa qualquer e não usam de honestidade para dizer, para fazer, para ser.

Eu também não gosto de generalizações nem de confundir a árvore com a floresta. Não gosto. Mas onde estão homens que usam de probidade para governar um país? Não devia ser esse um requisito fundamental? Quem diz um país, diz um império! Diz uma casa, uma empresa ou qualquer outra instituição. A honestidade é para usarmos todos os dias, até para governar o coração é fulcral. Adiante.

Eu não quero dizer os políticos, como se não houvesse um que se aproveitasse, como se fossem todos realmente iguais, como se todos exercessem política no sentido figurado. Não quero, mas apetece-me! Aliás, ando tão zangada com o meu país, tão atónita com o que se está a passar, tão incrédula no rumo que isto está a tomar que só me ocorre mandá-los às sementes! Eu explico. E desculpem-me o lirismo estival! O devaneio, se assim o entenderem.

As eleições seriam diferentes. Sim, esse momento em que nós, cidadãos livres e tantas vezes desmemoriados, os elegemos e lhes colocamos o leme do país nas mãos, para, cada vez mais amiúde, nos levarem de marcha à ré. Adiante.

À semelhança do que acontece na lenda chinesa, protagonizada por Ping, em vez de crianças, chamávamos os candidatos a governantes e dávamos a cada um, uma semente. Sim. Uma semente. Depois, mandávamo-los para casa, para colocarem a semente num vaso e tratarem dela com todo o cuidado. Dávamos-lhes um ano, para a acondicionarem em terra bem adubada, para a regarem até florir. Depois, pedíamos que nos apresentassem o resultado desse cuidado com a semente que lhes confiámos. Cada político traria a sua flor e, então, diríamos que seria eleito o político que apresentasse a flor mais bem tratada. Mas nós, os que conhecemos a belíssima história de Demi, ficaríamos de olho no político que se apresentasse com o vaso vazio. Seria esse o nosso eleito! Sim, o que não tivesse nenhuma flor para mostrar, porque as sementes distribuídas estavam todas queimadas e a possibilidade de florescerem era nenhuma!

Honestidade precisa-se! Seja para governar um país ou um império! Uma empresa ou um coração. E poupavam-me, já agora, de explicar à minha tia, tim-tim por tim-tim, o que são swaps e outras permutas e manobras que desvirtuam a política e quem a faz.