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Uma aliança para a responsabilidade social

Fernando Nobre

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Cientes de que os desafios impostos pela conjuntura global atual não podem ser abordados isoladamente, mas como parte de um ecossistema, as empresas e outras organizações da sociedade civil começaram a sentir necessidade de rever a forma como conduziam a sua atuação

As primeiras, porque pretendiam ir além do donativo e criar valor partilhado, procurando ser parte ativa das iniciativas, envolver as comunidades nas quais estão integradas, causar um verdadeiro impacto social e exigir uma disponibilização cada vez mais célere e clara de resultados; e as segundas, porque compreenderam que precisavam de encontrar soluções inovadoras para fazer face às pressões sociais constantes e aumentar o seu impacto.

Conscientemente, embora com altos e baixos e com enormes dificuldades, reconheça-se, a Sociedade Civil Mundial começou a organizar-se para apresentar propostas concretas e exigir correções aos governos e às instâncias internacionais anteriormente herméticas e nada democráticas. Esta transformação comportamental, a passagem de agentes passivos da mudança a agentes ativos e interpelativos da urgente mudança, aconteceu com o grito de Seattle em 1999. A partir de então, a agenda internacional deixou de ser a mesma, passando a incluir temas que as ONG, até então em vão, solicitavam, tais como a pobreza, a miséria, a fome e as alterações climáticas, entre muitos outros.

10 Princípios Universalmente Aceites

A perceção que as empresas têm sobre a sua responsabilidade social e o seu papel de proximidade cidadã com as pessoas e o tecido social das comunidades humanas em que estão inseridas mudou radicalmente, tanto globalmente como em Portugal.

Um forte exemplo dessa mudança foi a adesão à iniciativa levada a cabo por Kofi Annan em 2000, designadamente, o UN Global Compact, cujo objetivo é incentivar as empresas e organizações da sociedade civil a alinharem, de forma voluntária, as suas estratégias e políticas com 10 princípios universalmente aceites nas áreas dos direitos humanos, práticas laborais, ambiente e anticorrupção, e a promoverem ações de apoio aos objetivos da ONU, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Trata-se de uma plataforma de liderança para o desenvolvimento, implementação e divulgação de políticas e práticas empresariais responsáveis. Uma aliança que sonha com a construção de um futuro diferente e melhor.

É a maior iniciativa de responsabilidade social empresarial, ao nível mundial, com mais de 10.000 signatários em mais de 145 países. Em Portugal, são já 49, os membros da rede.´

Conferências AMI/Global Compact Network Portugal

A AMI procurou sempre reger a sua atuação baseada em critérios de transparência e responsabilização que, aliados a uma exigência cada vez maior das partes interessadas, fortalecem uma interdependência e compromisso mútuos para a disponibilização de resultados, razão pela qual aderiu ao UN Global Compact em 2011, assumindo o compromisso de apoiar e promover os 10 Princípios da iniciativa.

Nesse mesmo ano, a AMI aderiu também à rede portuguesa do Global Compact, e foi nesse sentido que propôs a realização, ao longo de 4 anos, das conferências AMI/GCNP (Global Compact Network Portugal), sobre cada uma das 4 áreas abordadas pelo Global Compact.

No dia 27 deste mês, decorre a primeira, em formato de Mesa Redonda, dedicada à área do trabalho e subordinada ao tema "Novas Formas de Organização do Trabalho", com as ilustres presenças de Carvalho da Silva, Catarina Horta, João Proença, Paula Nanita e Zeinal Bava.´

Será, com certeza, uma oportunidade ímpar para assistir e participar num debate sobre questões prementes da atualidade portuguesa e internacional.

Algo de profundo mudou no paradigma mental do mundo empresarial.

A economia e o empreendedorismo extravasaram de um mundo até há pouco muito elitista e fechado para querer abrir-se a outras visões, outras experiências emanadas de outras vivências no Mundo... E isso é formidável, é extraordinário.