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Responsabilidade Social "é coisa de" grandes empresas. Mito ou Realidade?

Conceição Zagalo

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A "Responsabilidade Social Empresarial custa caro". Quantos dos leitores desta rúbrica já ouviram esta afirmação?

Acredito que muitos de vós, já que não são raras as vezes que assistimos à defesa de que políticas de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) são "coisa" de grandes empresas. Mas estaremos perante uma realidade indesejável ou um mito ultrapassado?

Pois bem, comecemos pela realidade das estatísticas. Acreditar que a adoção de estratégias de RSE é exclusividade das apenas 1082 grandes empresas que integram o tecido empresarial português, composto por nada mais nada menos que 1 144 150 empresas, é razão para preocupação ou até alarme.

É que falar em Micro, Pequenas e Médias Empresas (PME's) é falar nos maiores geradores de emprego nacionais... é falar em organizações com um poder inigualável para mudar mentalidades, poupar recursos e gerar riqueza.

Posto isto, o tema RSE tem que passar obrigatoriamente pelas PME's. Como? A receita é antiga. Integrando preocupações económicas, mas também sociais, ambientais ou até culturais nas estratégias das empresas. A evidência? Vantagem competitiva. Afinal, bem sabemos que as organizações, sejam grandes ou pequenas, sobrevivem ou prosperam consoante o comportamento estratégico que adotam.

E mesmo não podendo negar que são as empresas de menor dimensão que mais desafios enfrentam, seja por estarem limitadas por estruturas pouco desenvolvidas ou por recursos nem sempre abundantes, não podemos deixar de questionar se é assim tão caro ou difícil desenvolver um pensamento estratégico, que lhes permita competir num presente com mudanças rápidas que ditarão a sua continuidade no futuro.

Pois bem, a avaliar pelo tecido empresarial que compõe o GRACE, esta associação de organizações que tem como missão promover e disseminar práticas de responsabilidade social empresarial, a resposta será não. Os números falam por si. Em 98 empresas associadas, 41 são pequenas e médias empresas, ou seja, quase 50% da associação é composta por negócios que não olham para a sua pequena dimensão como um entrave ao exercício de uma gestão responsável. Muito antes pelo contrário. Já perceberam a responsabilidade social como a oportunidade e não o risco.

E que oportunidade. Oportunidade para reduzir custos prosseguindo a eficiência. Oportunidade para construir e manter relações consistentes com fornecedores e clientes. Oportunidade para criar um ambiente de trabalho que atrai e retém talento. Oportunidade para conquistar licença para operar que só a comunidade concede. E somando tantas oportunidades, ainda persistem dúvidas?

Este é o caminho, querido leitor. O caminho para a sustentabilidade das Micro, Pequenas, Médias e Grandes Empresas... a estrada para a sustentabilidade da Humanidade.