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Responsabilidade Social. Comunicar ou calar?

Conceição Zagalo

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Comunicar ou não comunicar responsabilidade social, eis a questão. Questão essa, que para muitas empresas já se tornou mesmo num dilema

Porquê um dilema? Não faltarão razões... desde logo o comodismo. Mas há um argumento que fala sempre mais alto. O receio da má interpretação por parte de consumidores, comunidade, e até mesmo dos órgãos de comunicação social. Falamos da interpretação errónea que gera desconfiança. E bem sabemos que para as empresas, a palavra desconfiança é para manter longe, ou não estivesse em causa a sua imagem e reputação.

Afinal, quem nunca ouviu alguém proferir a célebre expressão: "Quando a fartura é muita, o pobre desconfia". E para o caso da emenda poder ser bem pior do que o soneto, há muitas empresas que preferem "calar" a responsabilidade social. Mas será mesmo que a divulgação compromete a intenção?

Pois bem, caro leitor, não nos falta matéria para contra argumentar. Comecemos, pois, pelos conceitos. Comunicar é ou não estimular, despertar a atenção, unir, conectar? Acima de tudo, a comunicação, para além de pressupor Falar, depende, e de que maneira, do Ouvir. E é este Ouvir que pode fazer tanta diferença quando o Falar é Responsabilidade Social. Não duvidemos que Ouvir Responsabilidade Social contamina, incentiva, e educa. Quem? Empresários, consumidores, colaboradores, e porque não a sociedade.

Assim sendo, porquê esperar para comunicar responsabilidade social? Não há que ter receio de comunicar práticas e políticas consequentes. Quando assim é, o risco de má interpretação é diminuto.

Os consumidores estão mais sensíveis e alertas. Sabem bem distinguir a comunicação séria da mera publicidade. Por outro lado, valorizam cada vez mais as organizações com preocupações económicas, ambientais e sociais.

Essa valorização é necessária. Afinal, se uma empresa não for viável economicamente, também não terá capacidade de gerar valor social e ambiental.

Porque queremos construir um caminho sólido rumo ao desenvolvimento sustentável, é crucial que o público seja informado e educado sobre as ações que as organizações desenvolvem. Só assim estará preparado para retribuir, contribuindo para um futuro promissor. Falamos, pois, de comunicação pedagógica, comunicação estratégica.

Posto isto, deixe-me que o questione a si que acabou de ler esta rúbrica. O que é comunicar responsabilidade social senão um ato, também ele, socialmente responsável?