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VÍDEO: Apoio ao domicílio da Fundação do Gil já apoiou mais de 5 mil crianças

Juniores e Seniores

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Há 7 anos que as Unidades Móveis de Apoio ao Domicílio da Fundação ajudam a tirar crianças do hospital e a devolvê-las às suas famílias. Margarida Pinto Correia falou com a VISÃO Solidária sobre o impacto do projeto

 

Ao todo, já foram percorridos mais de 300 mil quilómetros em 11 distritos do país. O número de crianças apoiadas ultrapassa as 5 mil e as visitas ao domicílio foram mais de 10 mil. Os números são reveladores do papel desempenhado pelas Unidades Móveis de Apoio ao Domicílio (UMAD) da Fundação do Gil, mas são os sorrisos e a gratidão das crianças ajudadas, e das suas famílias, que ficam na memória da equipa.

As carrinhas UMAD prestam apoio médico e social a crianças portadoras de doenças crónicas. Levam o hospital a casa, evitando deslocações desnecessárias e contribuindo para a integração das crianças no seu meio. Evitando, por exemplo, sucessivas faltas à escola. As famílias recebem formação para saberem lidar com as necessidades das crianças, tornando-se autónomas, tanto quanto possível.

Atualmente, as UMAD apoiam crianças sinalizadas pelos Hospitais de Santa Maria (Lisboa), Dona Estefânia (Lisboa), Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e São João (Porto). No 7.º aniversário, o projeto ganhou um novo apoio: a petrolífera BP vai garantir o combustível das carrinhas até ao final do ano.

A presidente da instituição, Margarida Pinto Correia, não esconde o desejo de estender a iniciativa a mais hospitais. "O modelo está testado, só é preciso replicá-lo", afirmou à VISÃO Solidária, antes de explicar que o impacto do programa via muito além de libertar camas de hospital.

Que tipo de apoio é prestado pelas Unidades Móveis de Apoio ao Domicílio (UMAD)?

As UMAD fazem o que for necessário para tirar uma criança do hospital. Muitas vezes, ou por terem doenças crónicas ou por necessitarem de cuidados continuados, as crianças ficam reféns dos hospitais. Uma situação que também acontece por razões sociais como a falta de confiança nas famílias ou as más condições de habitabilidade das residências, tendo em conta a fragilidade física da criança. A dificuldade de deslocação das famílias sou outro dos motivos que deixam as crianças reféns. Nós queremos libertá-las e devolvê-las à sua vida, sem precisarem de faltar à escola, por exemplo. Damos formação na escola destas crianças para saberem como agir em caso de necessidade. A carrinha também transporta o material médico necessário e evita que se passe um dia inteiro no hospital para fazer o tratamento.  

Qual o impacto na qualidade de vida das famílias?

Estamos a devolver-lhes tempo, além de lhes estarmos a devolver os filhos. Muitas vezes, temos casos de alívio parental, é assim que lhe chamam os médicos. Acontece quando as famílias estão próximas da rutura, exaustos. Por exemplo, estão ambos desempregados e têm uma entrevista de emprego, mas não podem ir porque estão presos ao filho em casa... Ficaram sem ama e não sabem o que fazer... Nestes casos, as crianças vão para a Casa do Gil, o tempo que for preciso. Nos últimos dois anos temo-nos cruzado com muitos casos de pobreza envergonhada. As crianças recebem uma bomba química e à noite não têm jantar. É uma realidade que não bate certo. Tentamos criar estruturas e criar as redes que ajudam cada família nas suas necessidades específicas. As nossas ondas de impacto chegam a toda a família.

Quando se refere ao projeto também fala de poupança...

Sim, poupamos ao Estado e, portanto, a todos nós. Quando estou a poupar ao Estado, estou a investir na sociedade. Quando retiramos uma criança de uma cama, aquela cama não fica vazia. Simplesmente, duplico ou triplico a utilização daquela cama. Para além disso, devolvemos a criança a casa e inibimos as idas às urgências e a ocupação do hospital de dia. Desta forma, poupamos milhões de euros. Uma cama num hospital custa 700 euros por noite, sem especialidade. Também poupamos a vida dos pais, voltam a ter tempo, voltam a poder ir trabalhar. Isso também é uma forma de recuperar e reforçar da teia social. A UMAD é como uma gota de água a cair no lago, o impacto não acaba nunca.