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O mapa dos manuais escolares gratuitos

Juniores e Seniores

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Henrique Trigueiros Cunha e a filha Maria, 16 anos, à porta do banco de livros que dinamizam

DR

O Movimento pela Reutilização de Livros Escolares começou na internet e já conta com quase uma centena de bancos, espalhados por todo o país. Basta procurar o mais próximo para poupar centenas de euros no regresso às aulas

Maria Cunha, 16 anos, ainda não perdeu a esperança de encontrar os dois livros que lhe faltam para ter a biblioteca do 11º ano completa. A verdade é que está numa posição privilegiada para o conseguir. Durante as férias de verão passaram-lhe pelas mãos centenas de manuais escolares de anos anteriores. "Há pessoas que trazem malas de viagem cheias de livros", conta, divertida.

A jovem estudante é o braço direito do pai na gestão do banco de troca de manuais que Henrique Trigueiros Cunha, 41 anos, criou no seu próprio centro de explicações, em plena Av. da Boavista, Porto.

Começou por pedir aos frequentadores do centro para deixarem os seus livros para os colegas do ano seguinte. Depois, alargou a iniciativa a outras disciplinas, além daquelas a que dava explicações (matemática e geometria descritiva).

No ano passado, Henrique lembrou-se de criar uma página no Facebook para dinamizar o projeto. "Em três ou quatro dias tinha mais de mil amigos", recorda o explicador antes de confessar que "não esperava a avalanche de bancos que surgiram por todo o país".  Neste momento - a evolução é constante - existem 94 bancos em todo o país, incluindo Açores e Madeira.

MOVIMENTO GRATUITO

O princípio de honra do projeto é a gratuitidade. Os bancos são geridos por voluntários e os livros são sempre doados. "A melhor forma de ajudar o movimento é dar-lhe notoriedade para chegarmos ao maior número de pessoas", apela, entusiasmado, Henrique Trigueiros Cunha.

Há quem deixe os livros do ano anterior e procure os do ano seguinte, quem apenas faça doações e quem não tenha livros para doar e procure aqueles de que necessita. É habitual os "caça livros" aparecerem com a lista dos livros escolares dada pelas escolas na mão.

Estarem em bom estado é condição essencial para os manuais entrarem no circuito. Até julho deste ano, na chamada "época baixa", foram entregues mais de 10 mil livros às famílias que se dirigiram aos bancos de todo o país - o equivalente aos números totais do ano letivo anterior. A crise não será alheia ao aumento dos que procuram a sua sorte entre os milhares de livros entregues.

REUTILIZAR PARA POUPAR

"Às vezes temos filas de 50 pessoas, à porta do centro de explicações, que vêm à procura de livros. Nas três horas por dia que o banco está aberto, chegam a passar por cá cem pessoas e chegamos a entregar cerca de 600 manuais por dia".

Mas entre os que se associam ao movimento por todo o país há histórias muito diferentes. "Há pessoas que teriam dinheiro para comprar os livros, mas defendem a reutilização". O fundador do movimento explica que o projeto não foi criado a pensar, apenas, nos mais carenciados, a ideia é tornar a reutilização num princípio universal.

Maria Cunha é uma verdadeira embaixadora das trocas: "As pessoas gastam muito dinheiro nos livros, que faz falta para outras coisas. Se aderirem à troca têm menos uma preocupação." O irmão mais velho, Mário Cunha, 18 anos, também dá uma ajuda na gestão no banco e, até ter entrado na faculdade, sempre reutilizou livros. O pai de ambos revela que, só no ano passado, terá poupado 800 euros em livros escolares para os dois filhos. Um exemplo que tem ajudado a replicar, em conjunto com os outros 93 bancos ativos.

Henrique Trigueiros Cunha garante que o movimento é uma prova inegável de que "não estamos em crise de generosidade".

DESCUBRA O BANCO MAIS PRÓXIMO NA PÁGINA DO MOVIMENTO PELA REUTILIZAÇÃO DOS LIVROS ESCOLARES

www.reutilizar.org