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Envelhecimento Ativo

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Uma série de personalidades contam-nos como encaram essa inevitabilidade que é envelhecer - e como isso pode ser uma outra forma de vida. Inspire-se nas palavras de António Gentil Martins, Ana Salazar, Vasco Graça Moura e Maria de Lurdes Modesto.

Ana Salazar

70 anos, Estilista

"A procura do novo tem sempre norteado o meu trabalho. De uma forma geral convivo com pessoas muito jovens. Aliás costumo dizer que o target etário dos meus amigos não pode ultrapassar os cinquenta anos. E quando são mais velhos têm uma mentalidade próxima da minha. Outras características: nunca penso na idade que tenho, prefiro andar e sair em vez de ficar no sofá, gosto de rir e de partilhar, deito fora as más recordações e guardo só as boas, tenho sempre uma enorme curiosidade e estar sempre a aprender. Sei que nada de sei, falta-me fazer tudo. " 

 

António Gentil Martins

81 anos, cirurgião pediatra

"Gosto mais de falar de uma vida ativa mais longa. Só envelhece quem, de facto, deixa de pensar no presente e de ter projetos para o futuro, limitando-se a recordar o passado.

Sempre pensei ser um erro olhar para a idade da reforma como uma data fixa, sobretudo agora que se vive cada vez mais tempo. Mais importante que uma data é a capacidade que mantemos e que pode ser não só útil para nós como para os outros. Será que a experiência dos mais velhos é de desprezar? Certamente que não. 

As novas conquistas da sociedade e da ciência permitem-nos viver muito mais tempo e, assim sendo, há que saber aproveitá-lo, não apenas mantendo as pessoas 'egoisticamente' ocupadas - mas também mantendo-as, familiar e comunitariamente, ativas e solidárias.

A qualidade da nossa vida, ao atingirmos uma idade maior, dependerá muito do que fizemos antes, sobretudo na nossa juventude., Nessa fase inicial, o estímulo cultural e intelectual, o desenvolvimento do corpo pelo exercício físico, uma vida regrada (dormindo bem, comendo de forma equilibrada, não fumando nem utilizando drogas...) contribuirá certamente para a qualidade de vida que se irá manter nas idades mais avançadas. Isto sem esquecer o necessário otimismo e alegria de viver, bem definida no provérbio chinês: 'O segredo da longevidade é comer metade, andar o dobro e rir o triplo'. "



Vasco Graça Moura

70 anos, Escritor

"Creio que é importante afivelar, para dentro e para fora de nós, uma atitude de fazer de conta, de viver "como se" a questão não se nos pusesse existencialmente, mas sem deixar de gerir física e mentalmente a idade que se tem com algum humor, uma certa dose de fair play e muita sensatez, e sobretudo sem fazer partes gagas de rejuvenescimento custe o que custar.

A qualidade de vida também se mede por aquilo que nos sentimos capazes de enfrentar. Não me queixo daquela que me coube. E, nos vários tipos de actividade a que me dedico, acho que ainda tenho muito que fazer e que isso me vai continuar a dar um grande gozo pessoal."

 

Maria de Lurdes Modesto

81 anos, Gastrónoma 

"Poderia dizer que não penso na idade, não é verdade, tenho de pensar. Sobretudo, porque continuo a trabalhar, o meu maior medo é não ter tempo para acabar os trabalhos. Agora, não me passa pela cabeça que sou velha. Na minha cabeça, ainda tenho 20. E se tenho rugas e vincos, não os atribuo à idade. Penso apenas que não sou tão bonita como gostaria. A morte não me mete medo.

É verdade também que não oiço bem - mas a minha surdez nada tem a ver com a velhice, já não ouvia bem aos 36. As coisas que me acontecem são assim porque tinham de ser. Os outros é que me estão sempre a falar da idade. Sempre que me estendem o braço ou a mão, na rua, para atravessar a estrada, para não cair, são os outros que estão sempre a lembrar-me disso. "