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Palavra de Sénior de Manuel Sobrinho Simões

Envelhecimento Ativo

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Lucília Monteiro

Aos 65 anos, o investigador da área do cancro revela que, para se manter ativo, tenta continuar a aprender sempre que possivel 

"Gosto de pensar que estou a envelhecer activamente, sobretudo a fazer fé nas queixas da família e dos amigos acerca da vida que continuo a levar. Numa interpretação abusiva do conceito de Envelhecimento Ativo (EA) sou inclusivamente acusado de estar a dar cabo dos (poucos) anos que me restam graças a um comportamento hiperactivo. Não é verdade ou, pelo menos,  penso que não é, mas compreendo a preocupação.

Envelhecer é muito chato, passe o calão. Com esta nossa mania dos números redondos senti um grande desconforto, quase uma espécie de vergonha, quando fiz 60 anos (Um parêntesis para referir que como a grande maioria dos humanos que tem cinco dedos em cada mão tenho uma crença insensata no sistema decimal).  No Brasil passei a pagar meio bilhete em museus, monumentos, transportes. O desconforto transformou-se numa espécie de moedeira que se foi acentuando nos anos seguintes e agora que acabo de fazer 65 (sempre o sistema decimal a aflorar) sinto-me mesmo um quase-velhinho activo. Não sei se os outros, exceptuando a família e amigos, terão a mesma visão. Pelo menos uma rapariga giríssima, aí de uns 30 anos, que me ofereceu o lugar no metro de Praga há um par de meses, não tinha.

Adiante que ainda não disse como faço para conseguir o tal EA. Aqui vai: Continuo a tentar aprender sempre que possível. Não me inibo, como nunca me inibi, de perguntar, questionar, comparar (Não sei se agora me desculparão mais esta atitude devido à minha idade, mas se não desculparem, paciência). Continuo a ensinar com gosto e entusiasmo jovens e menos jovens (não há melhor forma de aprender). Brinco com os netos. Faço algum exercício regular; devia fazer mais mas não tenho tempo. Faço alguns check-ups médicos e tomo pastilhas para as artroses, a hipertensão e o colesterol. Continuo a fazer cursos e conferências em Portugal e no estrangeiro. Gosto sobretudo de trabalhar como professor, ou consultor de diagnósticos de cancro, na Europa (toda ela, do norte ao mediterrânio, de leste a oeste) e no Brasil, China, Norte de Africa e Turquia. Mas o que gosto mesmo mais de fazer, além de trabalhar, é de ler e estar com a família. Acho que estou a ter, passe a imodéstia, um bom EA."