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A caminho da 'economia grisalha'

Envelhecimento Ativo

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A iniciativa não podia ser mais oportuna

Bruxelas declarou 2012 Ano Europeu do Envelhecimento Ativo

Manuel Villaverde Cabral, presidente do Instituto do Envelhecimento, da Universidade de Lisboa, entende que a iniciativa da UE de declarar 2012 Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade Intergeracional dificilmente conseguiria ser mais oportuna.

Se o aumento da esperança de vida só pode ser considerado "uma coisa boa", já os cortes no Orçamento da Segurança Social ditados pela crise estão a inverter a tendência para o que prometia ser uma boa e longa fase da vida.

"A conjuntura é muito adversa para esta faixa etária, que tem hoje mais problemas económicos do que de saúde", diz o sociólogo, explicando que cerca de 60 a 80% dos portugueses com mais de 65 anos estão em bom estado de saúde. Portugal é atualmente, recorda Villaverde Cabral, "um dos países mais envelhecidos do mundo". Já existem 120 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 com menos de 16 de idade. E a tendência só deverá acentuar-se, uma vez que a taxa de fertilidade entre nós é das mais baixas 1,3 filhos por mulher, quando deveria ser de 2,1 para assegurar a simples substituição de gerações.

Toda esta camada populacional em Portugal tende a engrossar as estatísticas da pobreza.

Dados de 2011 da UE revelam que o rendimento médio de uma família portuguesa em que um dos cônjuges tem mais de 65 anos é de 790 euros, metade da média europeia.

Apesar do aumento da esperança de vida, o afastamento do mercado de trabalho é precoce.

Pelos dados deste sociólogo, só em Lisboa metade da população com mais de 50 anos já está reformada. E destes, só cerca de 20% mantém alguma atividade remunerada depois da aposentação.

Villaverde Cabral lembra que existem várias receitas comprovadas que ajudam a um bom envelhecimento, "desde o exercício da cidadania ao do voluntariado". Mas a atividade remunerada pode ajudar uma população que, em muitos casos, é apanhada "mal armada" por esta crise. Para ele, o resultado mais interessante que poderá sair desta iniciativa será a constituição de um plataforma de todas as organizações que trabalham na área, para que seja possível "dar voz aos seniores" junto do Governo português e das instituições europeias.