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VÍDEO: Ajudada em Portalegre

Economia Social

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A economia da dávida é o conceito central de um encontro internacional que terá lugar na capital do Alto-Alentejo, de 14 a 16 de junho de 2013

Mais de trinta países já sentiram a presença da Transition Networks, uma Organização Não Governamental que ajuda pequenas localidades a tornarem-se mais resilientes à crise e mais resistentes, com base nos seus recursos e nas suas competências.

Em Portugal, a casa-mãe Transition Networks já apoia vários projetos, espalhados por várias zonas do País. E é precisamente uma dessas comunidades - a de Portalegre - que vai receber uma grande conferência internacional destinada a pensar um novo modelo de economia (re-economy), a partir de valores essenciais como a dádiva e a partilha.

Apesar de participar no encontro, não e a associação Portalegre em Transição que o organiza. "O conceito de organização é muito diferente do clássico. É um conjunto de indivíduos, de forma independente, que dão o seu tempo, de forma generosa, para organizar uma mega evento como este. A concepção teve origem num grupo de 4 pessoas, eu sou uma delas e o Charles Eisenstein também", explica Filipa Pimentel, uma das pessoas envolvidas no projeto, como voluntária.  

O encontro do Alto Alentejo, que terá como tema a Ajudada - alusão a uma prática ancestral comum em muitas zonas rurais, na qual os elementos de uma comunidade se juntavam para dar apoio nos trabalhos agrícolas de uma propriedade - está agendado para os dias 14, 15 e 16 de junho. Estarão presentes individualidades como Charles Einsenstein, autor de Economia Sagrada, e Mark Boyle, autor do livro O Homem Sem Dinheiro.

 

Durante três dias, este acontecimento pretende desencadear um processo de mudança, desde logo na região que acolhe a iniciativa. Para isso, contribuirão os testemunhos de outras comunidades que já estão mais avançadas no processo de transição e que podem falar das suas experiências: criação de moedas locais, lojas para vender artigos produzidos a nível regional, criação de emprego para concidadãos.

No dia 14, o programa inclui conferências, debates e mesas redondas. A 15, haverá oficinas, atividades de rua, intervenções no espaço público, mostra de projetos de âmbito local e momentos de festa. E a 16, será feito um apelo à implementação concreta de projetos em fase preparatória e reunir-se-ão todos os participantes da Ajudada.

A Transition Network chegou a Portalegre no início do ano de 2011, através da Associação Portalegre em Transição, que envolve pessoas de várias áreas e sensibilidades da região. O objetivo foi, como sempre, assumir um papel ativo na revitalização da vida local e combater os problemas mais prementes: desertificação humana e cultural e dificuldades geradas pelo facto de se tratar de uma região economicamente deprimida.

"Todos os nossos projetos, por serem locais, são diferentes", contou Filipa Pimentel à VISÃO, em Bruxelas, quando foi receber o primeiro lugar do Civil Society Prize, em nome da Transition Network (entidade internacional que está por trás de todo este projeto).

"Em Portalegre, lidamos muito com o pacto social de reconexão entre as pessoas, viver em comunidade outra vez, pôr as gerações a comunicarem, reaprender autonomia alimentar, fazer uma horta, fazer feiras de trocas. Em breve gostaríamos de começar a entrar na parte da re-economy: criar emprego de forma sustentada, lojas para venderem artigos produzidos localmente".

A Ajudada pode servir para Portalegre dar um passo no sentido da sustentabilidade e da resiliência. Para fugir à crise económica. E não só, como se pode perceber pela história de Monte Vecchio, Itália. "Aquilo foi de tal forma que depois houve eleições para a câmara e eles disseram: 'Olha, não é tarde nem é cedo.' E candidataram-se." 
Conferência de 2011

Conferência de 2011

D.R. Mike Grenville