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Finanças Pessoais

Pedro Pais

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Pedro Pais responde a questões sobre finanças pessoais. Envie as suas perguntas para visaosolidaria@impresa.pt

Cá em casa eu e o meu marido conseguimos poupar mensalmente entre 100 e 150 Euros, pode dar-nos uma ideia de qual o melhor destino a dar a esse dinheiro? Se for relevante, em termos financeiros temos crédito a habitação, crédito automóvel e um crédito ao consumo.

Teodora P.

Como introdução, sobre a poupança, fundamental é conseguir concretizá-la de forma permanente e proporcionalmente ao rendimento do agregado. A pergunta da Teodora indica que a vossa poupança é permanente, mas contudo ficamos sem saber qual a proporção que atinge do vosso rendimento. Tipicamente, aconselho que se aponte para pelo menos 15% do rendimento (no vosso caso, se o rendimento mensal for superior a 1.000 euros deveriam colocar em marcha planos para reforçar o montante mensal de poupança).

Em relação à pergunta em si, o primeiro destino da poupança é a constituição de um fundo de emergência, de valor mínimo equivalente a 6 meses de despesa. Esse fundo de emergência pode assumir a natureza de um depósito a prazo, desde que o mesmo seja passível de ser mobilizado antes do término do prazo. O que procuramos no fundo de emergência não é rentabilidade, mas sim capacidade de rapidamente obter o dinheiro em caso de necessidade.

O próximo destino da poupança é a amortização de créditos caros. Se, aos dias de hoje, tiver algum crédito com TAEG (taxa que reflete todos os custos de um crédito) superior a 3-5% a melhor opção será amortizá-lo, visto que para o comum aforrador a obtenção de rentabilidades líquidas superiores aos valores indicados será bastante raro. Com a amortização antecipada poupará muito dinheiro em juros e uma vez que a prestação mensal baixará, irá certamente aumentar o potencial da vossa poupança mensal.

Tendo constituído o fundo de emergência e amortizado os créditos caros (o que pode levar algum tempo), passamos à última fase, a de investimento. Nesta fase, estamos interessados em aplicar as poupanças numa forma adequada às características e objetivos do aforrador/investidor.

As recomendações em concreto dependem de coisas como a idade, a tolerância ao risco, o conhecimento de produtos financeiros, o património atual ou as grandes compras planeadas, que no seu conjunto vão ajudar a determinar o tipo de produtos financeiros a adotar e a percentagem que cada um assume no património total.

De qualquer forma, e assumindo uma perspetiva muito conservadora, uma hipótese será aplicar parte da poupança acumulada em depósitos a prazo com taxas acima da média (normalmente associados a condições de mobilização mais restritivas), que pode ser complementada com investimento em fundos de obrigações de baixo risco, que tem como principal objetivo proteger as poupanças do efeito da inflação, mas qualquer decisão concreta deverá ser alvo de análise e ponderação.

Embora se tenha dito que a fase de investimento seria a última do ciclo da poupança, a verdade é que periodicamente todas as fases devem ser revistas, por forma a adequarem-se às novas condições e objetivos do agregado.

Em particular, fica a ideia de que o ciclo de poupança só existe quando há, efetivamente, poupança, pelo que é fundamental estar atento às despesas, adequando-as ao rendimento e procurando alternativas mais económicas.