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Dúvidas sobre depósitos a prazo vs. obrigações

Pedro Pais

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Pedro Pais responde a questões sobre finanças pessoais. Envie as suas perguntas para visaosolidaria@impresa.pt

No meu banco sempre me ofereceram taxas atrativas para depósitos a prazo. Acontece que, em abril, à falta de melhor taxa para a renovação do meu depósito, propuseram-me a subscrição de obrigações de taxa fixa. Depois de ter subscrito este produto, estranhei não ver nos documentos que o capital era garantido no final do prazo. O funcionário ficou de me arranjar novo documento, mas, até à data, nada me foi entregue. Estou disposto a pedir que vendam estas obrigações, uma vez que, sendo parte importante do meu património, não há dia em que não pense na fragilidade do produto que subscrevi, pelo que agradecia uma resposta a estas minhas dúvidas.

Manuel B.

No que diz respeito ao dinheiro, mais vale perder uma "oportunidade" do que tomar decisões pouco informadas ou precipitadas. Pode até ser razoável assumir riscos significativos, mas nunca de forma inconsciente. O caso apresentado mostra que muitos aforradores têm preterido dos depósitos a prazo face às obrigações, aliciados pelas promessas de taxas elevadas, sem contemplar as claras diferenças que existem entre os dois tipos de investimento, pelo que se alerta que a transferência de investimentos entre depósitos a prazo e obrigações deve ser feita com grande cuidado e, em muitos casos, não será de todo aconselhável, especialmente conhecendo a aversão ao risco da maior parte das pessoas.

Em concreto, recomendo ao Manuel que antes de mais leia os parágrafos abaixo, para se melhor informar sobre as diferenças entre depósitos a prazo e obrigações e, em particular, conhecer a diferença entre a noção de capital garantido nos depósitos a prazo e nas obrigações. Adicionalmente, deve exigir do seu banco toda a documentação relevante, para ter uma ideia completa do produto subscrito e, caso assim decida, conhecer a possibilidade e custos envolvidos no resgate ou venda dos mesmos. Mais uma vez, tal como não se devia ter precipitado na subscrição, não se precipite no resgate/venda sem conhecer a plenitude das implicações de tal decisão.

Falando das diferenças entre depósitos e obrigações, importa dizer que os depósitos a prazo são produtos simples que as instituições financeiras utilizam para captar as poupanças dos investidores, que têm a particularidade de terem reembolso garantido de capital e, tipicamente, uma taxa de juro fixa, sendo que beneficiam da protecção do Fundo de Garantia de Depósitos, que em princípio colmata o eventual risco da instituição financeira não cumprir com os seus deveres.

Já as obrigações, que são títulos de dívida de uma determinada entidade, são produtos mais complexos e com diversas particularidades, podendo inclusivamente haver casos em que não existe reembolso do capital investido (e.g., obrigações perpétuas), e frequentemente apresentam custos significativos de compra, venda e manutenção. Um ponto muito importante a reter é que o reembolso depende essencialmente da capacidade do emitente e, ao contrário do que acontece nos depósitos, não existe um Fundo de Garantia, pelo que no caso de incapacidade do emitente em cumprir com os seus devedores, o investidor dificilmente conseguirá reaver o investimento.

As diferenças apresentadas não significam que as obrigações apresentem necessariamente maior risco do que os depósitos a prazo, embora normalmente tal seja verdade, mas sim que são produtos mais complexos e sujeitos a outro tipo de condicionalismos. As obrigações têm inequivocamente o seu lugar no mundo do investimento e podem inclusivamente fazer parte de uma carteira equilibrada de activos, mas não são depósitos a prazo.