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'Queremos viver juntos... os nossos animais de estimação é que não'

Clara Soares

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Clara Soares responde a questões sobre psicologia. Envie as suas perguntas para visaosolidaria@impresa.pt

Ao fim de quase um ano a transportar bagagens de uma casa para outra, eu e a minha namorada achamos que está na altura de viver juntos. A ideia de criar novas rotinas num só espaço parece-nos atractiva e lógica. Ela quer alugar a casa que ainda está a pagar ao banco. Com a folga financeira, podíamos remodelar a minha e torná-la mais "nossa", nestas férias de verão.

Só há um problema: ela tem um cão e eu, uma gata. Já tentámos aproximá-los, mas não correu bem, apesar de ambos serem esterilizados e de cada um estar habituado à nossa presença, nos apartamentos onde vivem. Andamos a adiar o assunto. Nenhum de nós considerou a sério a hipótese de ter de escolher entre uma habitação para dois e o nosso animal de estimação.

O que fazemos?

Miguel, Lisboa

Gerir o território a dois não é tarefa fácil. Com diferentes espécies à mistura, não o será menos. Talvez seja boa ideia considerar a hipótese de dar mais tempo... aos bichos e ao plano de mudanças, programado para as férias. No pior dos cenários, a adaptação dos animais de companhia pode não ser viável e um de vocês terá de equacionar uma "família" alternativa: para o cão ou para a gata. A terem que abdicar de um dos "companheiros", é preciso que a decisão seja tomada em consciência, com a plena concordância dos dois e que garanta o bem-estar do animal (fase de adaptação incluída), para que o tema não se converta num entrave sério ao vosso compromisso, no futuro. De resto, já o é, na medida em que ainda não conseguem falar abertamente sobre esta possibilidade. Vá com calma e pense na remodelação só depois de fazer um plano B, por mais que a hipótese se vos afigure emocionalmente difícil.

Em qualquer dos casos, vão ter pela frente um período de transição. Informem-se junto dos veterinários quanto ao protocolo de treino comportamental a seguir para facilitar a aproximação dos companheiros domésticos, tendo em conta a raça, rotinas, preferências e estilos de condicionamento adotados (e que seja preciso modificar, no processo de integração). Sendo o felino a mudar de território, terá de respeitar o tempo dele na adaptação ao novo lar e, talvez, fazer algumas experiências na gestão do espaço, envolvendo todos os que vão partilhá-lo.

Especialistas em comportamento animal sugerem que os bichos sejam escovados com o mesmo utensílio, para se ambientarem ao cheiro um do outro (e reduzir, gradualmente, a resposta automática de ataque ou fuga, e seus danos potenciais). A rotatividade diária de cada um dos residentes (ficarem separados uma noite, no quarto, sala, hall e cozinha, por exemplo) é outra possibilidade a contemplar para a nova coexistência territorial. Conte, pois, com alguma turbulência e paciência, até que os animais se familiarizem com a presença um do outro, sem ver nela uma ameaça ou perigo. De qualquer modo, eles darão sinal quando estiverem preparados para se farejar e inspeccionar mutuamente, bem como aos objectos e brinquedos, ao ritmo de cada um. No melhor dos cenários, este processo levará alguns dias, mas prepare-se mentalmente para duas ou três semanas de "tropa", no período de férias.