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É tempo de doar medicamentos

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O Banco Farmacêutico promoveu uma recolha de medicamentos de âmbito nacional. Leia a entrevista com o presidente da associação, que alerta para os perigos de interromper medicação  

"São cada vez mais as IPSS e Misericórdias que nos contactam no sentido de fazerem parte do lote de instituições apoiadas pelas Jornadas de Recolha de Medicamentos", contou, à VISÃO Solidária, o presidente do Banco Farmacêutico, Luís Mendonça, 39 anos.

A V Jornada de Recolha de Medicamentos contou com a adesão de 110 farmácias, localizadas nas regiões de Alentejo, Algarve, Covilhã, Lisboa, Santarém e Setúbal.

Este ano, as instituições beneficiárias serão 67 IPSS e Misericórdias próximas das farmácias aderentes.

"Tratamentos interrompidos ou não realizados levam a que os doentes se tornem cada vez mais doentes, isto é, conduzem a uma diminuição da sua qualidade de vida e a um aumento da mortalidade", explica o farmacêutico.

Desde a primeira edição da iniciativa, há quatro anos, já foram doados 28 919 medicamentos.

Luís Mendonça, que também chefia a farmácia da Unidade Hospitalar da Estrela, integrada no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, fala sobre o impacto da iniciativa na indústria farmacêutica, dos riscos de interromper medicação e apela à solidariedade dos portugueses.

Luís Mendonça, presidente do Banco Farmacêutico

Quais os objetivos da Jornada de Recolha de Medicamentos deste ano?

À semelhança dos anos anteriores, apesar do momento difícil que o país atravessa, os objetivos passam por continuar a registar um aumento do número de medicamentos recolhidos, farmácias aderentes, voluntários envolvidos e instituições apoiadas. Desta forma, contamos ajudar pessoas que, por razões económicas, não teriam acesso aos medicamentos necessários ao seu tratamento. Outro dos objetivos é o apelo à solidariedade e ao voluntariado: acreditamos que valores como a gratuidade e a partilha são essenciais para vivermos numa sociedade justa, solidária e preocupada pelo bem comum.

Qual o impacto de uma iniciativa como esta na indústria farmacêutica?

Conseguimos angariar medicamentos no valor global de 50 mil euros/ano. Este valor, não sendo significativo para a Indústria Farmacêutica, tem um impacto enorme no dia-a-dia das instituições de solidariedade social a braços com orçamentos reduzidos. Sendo os medicamentos dirigidos a necessidades específicas e manifestadas pelas instituições de solidariedade social, acreditamos que, mais cedo ou mais tarde, seriam adquiridos pelas instituições e pelos utentes. Penso que, na prática, esta ajuda vai aliviar as despesas das instituições com medicamentos.

Que tipo de consequências pode ter a interrupção da medicação?

A interrupção de um medicamento antes do tempo indicado, ou a não adesão a um tratamento, tem sérias consequências não só na saúde das pessoas como também em todo o sistema de saúde. Tratamentos interrompidos ou não realizados levam a que os doentes se tornem cada vez mais doentes, isto é, conduzem a uma diminuição da sua qualidade de vida e a um aumento das morbilidades e inclusivamente da mortalidade. Pessoas mais doentes aumentam a pressão no sistema de saúde: verifica-se uma maior procura de cuidados nos hospitais com um aumento da despesa pública em saúde.

Que tipos de medicamentos são necessários?

Os medicamentos doados correspondem às necessidades expressas pelas instituições de solidariedade. Assim, os mais necessários dependem da instituição beneficiada: lares de idosos têm necessidades distintas de instituições de apoio aos sem-abrigo ou de apoio a crianças e jovens em dificuldades. Cada farmácia estará a recolher medicamentos para uma instituição específica e terá uma lista de medicamentos de acordo com as necessidades dessa instituição. Serão sempre medicamentos não sujeitos a receita médica ou produtos de saúde de venda livre, novos, adquiridos nesse dia nas farmácias aderentes.

É possível contribuir com medicamentos durante todo o ano?

Neste momento, ainda não temos desenvolvido nenhum modelo que permita a doação de medicamentos ao longo de todo o ano. Estamos a estudar formas de melhorar o nosso apoio na área do medicamento, mas queremos fazê-lo tendo em conta as características específicas de qualidade e segurança que envolvem os medicamentos. Queremos que todas as pessoas saibam e sintam que os medicamentos doados são de confiança.