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Números revelam como ficou a capital depois da 'troika'

Atualidade

Gonçalo Rosa da Silva

Dados levantados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa traçam a radiografia social da cidade à saída do memorando de entendimento

Desde que o memorando com a troika foi assinado, a 17 de maio de 2011, não foi só o País que mudou.

Nem o Governo. Nem a política. Nem a economia. Mudou a coesão e a estrutura social, mudaram os ricos, a classe média e, sobretudo, os pobres. A mudança lê-se nos relatórios do departamento de ação social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), a que a VISÃO teve acesso. Em três anos, mais utentes foram servidos pelos refeitórios sociais, mais famílias tiveram apoio alimentar, mais crianças foram referenciadas pelas equipas no terreno e mais idosos tiveram apoio domiciliário. Nem mesmo a população sem-abrigo da capital estabilizou.

Entre abril e dezembro de 2013, uma mega operação levada a cabo por 874 voluntários da Santa Casa, cujo provedor é Pedro Santana Lopes, permitiu sinalizar 852 sem-abrigo, quase todos homens, portugueses e solteiros, a viverem nas ruas da capital. Desses, 25% eram licenciados. Este ano, o número de utentes sem casa apoiados nos refeitórios da Santa Casa era de 1 250.

Em 2014, as diárias em pensões pagas pela SCML subiram de 481 para 640, do primeiro para o segundo trimestre, embora o número de hóspedes ter baixado de 91 para 59. Os dados podem significar que há menos gente neste regime, mas durante mais tempo.

Voluntários em queda

Um dos indicadores compilados pela Misericórdia de Lisboa contabiliza os atendimentos sociais de emergência, que atingiram as 4 549 "consultas" até setembro. Mais de 200 novas famílias e 409 crianças/jovens foram referenciadas pelas equipas da Santa Casa como estando em situação de risco, em 2014. Entre os idosos, o apoio domiciliário passou de 2 631 para 2 731 casos, com a capacidade dos lares a aumentar de 649 para 680.

Dado curioso é o que caracteriza a evolução do voluntariado na capital, desde que a troika foi embora. Em tempos de crise, seria de esperar que o número de "ajudantes" aumentasse. E aumentou, de 773 em 2012, passou para 865 em 2014. Mas as horas realizadas pelos voluntários em atividade, essas, desceram brutalmente: de 338 911 há dois anos, para 180 mil no plano de 2014.

Cidade ao raios-x

Alguns indicadores de 2014 recolhidos pela ação social da SCML

4 549 O número de atendimentos sociais de emergência

409 As crianças sinalizadas pelas equipas de apoio à família

16 Equipas de apoio à família

26 Os utentes acolhidos de emergência vítimas de violência doméstica

1 451 Os processos acompanhados pela equipa de apoio ao Tribunal de Menores

865 Os voluntários em atividade

1 250 Os sem-abrigo apoiados em refeitórios sociais

2 731 Os idosos com apoio domiciliário

140 Os utentes do centro de apoio a indivíduos isolados