Visão Solidária

Siga-nos nas redes

Perfil

Bancos Alimentares alertam para o perigo da ajuda alimentar ser reduzida a metade

Atualidade

  • 333

José Carlos Carvalho

Portugal vai perder 10 milhões de euros com o fim do programa europeu de ajuda alimentar

"Toda a ajuda alimentar em Portugal será francamente afetada em mais de 40 ou 50 por cento". O alerta foi lançado, na semana passada, pelo secretário-geral da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares (FPBA), Manuel Paisana.

O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) termina no final do ano e será substituído pelo Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas. Até agora, o apoio anual europeu rondava os 20 milhões de euros mas, com o novo programa, a contribuição vai descer para os 10 milhões.

Manuel Paisana, em declarações à agência Lusa, mostrou-se esperançoso de que o Governo irá "fazer um esforço para que a ajuda alimentar se mantenha a níveis que correspondam ao aumento, infelizmente, dessa procura face à crise social e económica que afeta o país".

O novo fundo de auxílio permite que os estados-membros se candidatem a programas de distribuição de alimentos, vestuários e outros bens de primeira necessidade, com a duração de sete anos.

A FPBA teme que o período de transição entre os dois sistemas de apoio possa provocar interrupções ou atrasos na entrega dos bens. "É muito urgente, a exemplo de outros estados-membros, que o Estado português assegure uma transição regular para o novo esquema", declarou Manuel Paisana.

De acordo com os dados da Federação de Bancos Alimentares, perto de dois milhões de pessoas vivem em situação de pobreza, em Portugal. No ano passado, cerca de 160 mil não podiam pagar uma refeição de carne ou peixe, de dois em dois dias.