Visão Solidária

Siga-nos nas redes

Perfil

Palavra de Cidadão de Gabriel Mateus

Ano da Cidadania

  • 333

O pai de Safira, a menina conhecida pela sua batalha contra o cancro - e contra o tratamento indicado pelo IPO - revela o que o move

O Projeto Safira surge como consequência de uma história pessoal, de luta contra o cancro e contra as inúmeras adversidades encontradas para exercer o direito de participar na escolha do tratamento a seguir.

Desde o início do nosso percurso, impôs-se uma necessidade de natureza cívica e ética: promover o debate acerca das liberdades e co-participação dos cidadãos na decisão médica. O Projeto Safira surge assim como um instrumento social que tem como missão promover o acesso a escolhas livres e informadas na prevenção e tratamento do cancro através do exercício de uma cidadania ativa, em que o cidadão é convidado a assumir em pleno os seus direitos mas também os seus deveres de participar nas escolhas que dizem respeito à sua vida pessoal e coletiva.

No contexto médico, essa parceria entre cidadãos está ainda muito condicionada por um modelo assimétrico entre uma voz soberana e outra passiva. Num tempo de informação livre, as exigências de um cidadão informado são outras, criando assim novos desafios e pedem uma revisão do modelo de relação médico-paciente, assim como a prática objetiva de um consentimento informado. A criação de uma democracia faz-se justamente pela opção de escolha livre, informada e assente em pluralidade. O Projeto Safira busca reforçar esta unidade fundamental de cidadão e investi-lo dos instrumentos necessários para que se assuma como um ator responsável e participante na sua saúde e na sociedade como um todo.

O problema da escolha é, no final de contas, um problema de cidadania e quando essa escolha cessa, compromete-se o valor da própria democracia. Nesse sentido, promover o acesso a uma informação plural e integrativa para o tratamento do cancro acaba por ser um reforço dos valores fundamentais dos direitos e deveres do cidadão. Depois de eliminados todos os papéis sociais e estereótipos, o que resta como unidade essencial e comum a todos é a sua condição de cidadão.

As dificuldades que tivemos de ultrapassar ao lidar com a doença e adversidades sociais gradualmente converteram-se numa oportunidade e privilégio de podermos contribuir para uma sociedade mais informada e pro-ativa. Num tempo onde se impõem medidas sobre todos nós de natureza unilateral e fatalista, o reforço de uma atitude crítica e informada parece-nos urgente não só para a democracia da saúde mas também para a saúde da democracia. A forma como o escolhemos fazer foi através do Projeto Safira.

A Associação do Projeto Safira buscará manter o cidadão informado sobre os meios de prevenção e tratamento do cancro além de facilitar o acesso a serviços e clínicas de tratamento em condições especiais, através de uma rede de colaboradores em vários pontos do mundo.