Visão Solidária

Siga-nos nas redes

Perfil

Palavra de cidadã de Raquel Freire

Ano da Cidadania

  • 333

Para a cineasta, a cidadania hoje exige que se volte às origens da política, feita pelas pessoas e para as pessoas 

"Há uma geração de pessoas que nasceu com a democracia. Sou filha disso, de direitos concretos, como a Educação, a Saúde, a Habitação. O modelo em que escolhemos viver é uma construção complexa e esse é o grande desafios dos dias de hoje. Afina, nunca uma democracia foi tão posta em causa em todo o mundo. A anti-democracia é a anti-cidadania. 

Agora, é preciso criar um novo modelo - como se viu nas manifestações do 12 de março. É este o espírito do tempo, com as pessoas a reclamar mais democracia. Foi o culminar de uma reivindicação que já existia, de várias tentativas de dizer chega. 

Com a criação da Academia Cidadã, queremos que cada um possa dizer o que pensa, com propostas para o país. Nós, das mais jovens democracias europeias, não temos ferramentas para a exercer, falta-nos uma cultura democrática. O que precisamos é de uma revolução de cidadania, que foi o que não se fez. Não precisamos só de aprender a ler, escrever e contar. É muito precisa uma educação política, cívica. Era uma missão dos partidos, mas ficou pelo caminho.

É isso então que agora queremos fazer, pegar na energia das pessoas e devolver-lhes a acção. Democracia não é só a relação das pessoas com o Estado. Só existe verdadeira democracia quando cada um dos cidadãos for um político, no sendido de poder decidir oq ue quer fazer no seu bairro, na sua cidade, no seu país. E isso só se consegue se empoderarmos as pessoas, se lhes dermos poder."