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Câmara de Lisboa vai investir 1,6 milhões em bairros prioritários

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Apesar de o financiamento da Câmara rondar os 1,6 milhões de euros, o montante total das intervenções ascende aos 2,25 milhões de euros, sendo que 647 mil euros são assegurados por outras fontes de financiamento (como parcerias com privados)

Gonçalo Rosa da Silva

Uma rede de baby-sitters solidárias ou a formação de pessoas desocupadas para promoverem o turismo na Ajuda são alguns dos projetos que serão abrangidos pela sexta edição do programa de intervenção em bairros prioritários de Lisboa

Lusa (com VM)

A Câmara de Lisboa assinou 42 contratos com os promotores dos projetos vencedores da sexta edição do programa BIP/ZIP - Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária para 2016, no valor de 1,6 milhões de euros.

Na edição deste ano, registaram-se 122 candidaturas de 378 entidades promotoras e parceiras, que abrangeram 65 territórios BIP/ZIP.

Destas, foram selecionados pelo júri do concurso 42 projetos que incidem sobre 53 territórios do programa, levados a cabo por 186 entidades.

Entre as temáticas abrangidas está a prevenção e inclusão (14), a melhoria da vida no bairro (dez), a promoção da cidadania (nove), o empreendedorismo (cinco), a requalificação de espaços (três), entre outras (um).

Destaca-se, por exemplo, a criação de uma plataforma onde as famílias carenciadas poderão recrutar ‘baby-sitters’ voluntárias, denominada Super Baby-sitters, a recuperação da cultura e valores locais através de uma rede de artes e ofícios e, ainda, a capacitação de pessoas desocupadas, desempregadas ou com necessidades especiais para, no âmbito das artes, fomentar o turismo na freguesia da Ajuda.

Apesar de o financiamento da Câmara rondar os 1,6 milhões de euros, o montante total das intervenções ascende aos 2,25 milhões de euros, sendo que 647 mil euros são assegurados por outras fontes de financiamento (como parcerias com privados).

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia de assinatura dos contratos, na Câmara de Lisboa, a vereadora da Habitação e do Desenvolvimento Local frisou ser "muito bom sentir que este programa já tomou conta da rotina das organizações e do trabalho em termos autárquicos".

"O programa BIP/ZIP não é um programa para resolver os problemas estruturais da cidade. (…) É um programa de iniciativa municipal, de orçamento totalmente municipal, e que põe à disposição das organizações e das comunidades a possibilidade de se organizarem, de decidirem em conjunto o que querem fazer de intervenção mais efémera ou menos efémera, mais material ou menos material, nos seus territórios", acrescentou Paula Marques.

Para a autarca, este é "um processo de ignição", tanto para as coletividades "que estão, eventualmente, mais adormecidas", como para o associativismo, pois "há associações de moradores que (…) já surgiram no decorrer desta dinâmica do programa BIP/ZIP".

"É preciso olhar de forma específica para alguns territórios da cidade", considerou Paula Marques.

Relativamente à verba associada, a autarca admitiu que "objetivo era subir um bocadinho mais".

"Não mudámos a dotação da última edição para esta e este ano temos mais projetos, mas isto acontece porque (…) há mais projetos aprovados de menor valor", frisou.

Nas próximas edições, o município tenciona fazer "um ‘upgrade' no programa", estando a estudar como juntar projetos de pequena dimensão, para trabalharem em conjunto, e como dar "mais visibilidade a estes territórios", adiantou Paula Marques, exemplificando que este último objetivo poderia ser conseguido através de uma aplicação móvel onde se pudessem consultar as iniciativas.

Ao mesmo tempo, a Câmara está, desde o ano passado, a rever a carta dos BIP/ZIP (que define as orientações do programa) para a poder "redesenhar" depois de compreender o impacto que os projetos têm na vida das comunidades, apontou a responsável, estimando que essa análise esteja concluída "no primeiro trimestre de 2017".

Desde a criação do programa, em 2011, foram aprovados 231 projetos