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Periferias 'arrefecem' rendas em Lisboa e Porto

Imobiliário

Gonçalo Rosa da Silva

As rendas praticadas nos centros de Lisboa e do Porto ainda sobem mas de forma bem mais comedida. Segundo a análise da Confidencial Imobiliário, à semelhança do que está a acontecer no mercado de venda, também no arrendamento as periferias estão a surgir como opção, a valores bem mais baixos

Marisa Antunes

O 2º trimestre de 2019 confirmou a tendência de "arrefecimento na subida das rendas das casas em Lisboa e Porto", ambas registando aumentos abaixo da média nacional, de acordo com os mais recentes resultados do Índice de Rendas Residenciais da Confidencial Imobiliário. Este índice é apurado a partir dos valores dos novos contratos de arrendamento celebrados.

Se em Portugal, as rendas das casas subiram em média 10,8% no segundo trimestre deste ano em comparação homóloga (e mantendo o ritmo médio de crescimento verificado nos dois últimos anos na ordem dos 11%), já em Lisboa cidade esse crescimento foi de 5,6% e no Porto foi de 9,7%, a mais baixa dos últimos dois anos.

Estes resultados, diz o economista Ricardo Guimarães, que dirige a Confidencial, “sugerem um comportamento semelhante ao dos preços de venda, cujas subidas mais recentes no agregado do país parecem agora ser impulsionadas pelos mercados periféricos e não por Lisboa e Porto".

O responsável realça que "os dados disponíveis não sinalizam ter havido um aumento da oferta que, por sua vez, estivesse a pressionar as rendas para baixo, sendo este ciclo de estabilização o culminar de um processo de crescimento muito forte registado até agora e que, naturalmente, não poderia prosseguir indefinidamente”.

Lembra a Confidencial Imobiliário (Ci) que é preciso recuar ao 3º trimestre de 2014 para encontrar uma variação mais baixa (2,6%) nas rendas praticadas em Lisboa. Após a subida de 21,9% registada no 2º trimestre de 2017 (a qual foi o exponente máximo do ciclo de recuperação iniciado em finais de 2013, após as queda de 19% no período da a crise), o aumento anual das rendas em Lisboa ainda se manteve em torno dos 20% até início de 2018, mas começou a abrandar a partir daí, passando de uma variação homóloga de 17% no 2º trimestre de 2018 para a agora registada.

No Porto, a variação homóloga no 2º trimestre de 2019 foi de 9,7%, a mais baixa dos últimos dois anos. Também em termos trimestrais, a subida de 1,7% exibe um arrefecimento. Neste mercado, a variação máxima foi atingida no 3º trimestre de 2018, com uma subida homóloga de 23,1%, culminando o percurso de intensificação das subidas sentido desde meados de 2017. No final de 2018, o crescimento das rendas recuou já para 18,9%, passando para 13,5% no trimestre seguinte e atingindo agora o patamar abaixo dos 10%.

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