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Preços altos sim mas só quando é mesmo luxo

Imobiliário

As casas em Lisboa e na linha de Cascais passaram por um processo rápido de valorização, muitas vezes de uma forma injustificada e muitos potenciais clientes já perceberam isso, alerta Manuel Neto, empresário da nova marca de luxo que chegou ao sector - a LANE

Marisa Antunes

Após anos à frente das agências da Engel&Volkers no Parque das Nações e no Estoril, os empresários Martin Lawrenz e Manuel Neto lançaram a sua marca própria - a LANE (que resulta da junção das primeiras duas letras dos apelidos de ambos).

A nova agência, que integra mais de 150 imóveis num valor global superior a 300 milhões de euros, conta com lojas em Cascais e no Estoril, e muito brevemente com uma equipa comercial em Lisboa, e um plano de expansão geográfica até Setúbal.

"Vamos continuar a concentrar a nossa atividade no segmento médio alto, alto e na prática vamos manter tudo como temos feito até aqui, a única diferença é que temos a nossa marca própria", explicou à Visão Imobiliário Martin Lawrenz, um dos sócios.

O mercado para o posicionamento mais elevado continua a atrair clientes de todo o mundo ainda que o fluxo tenha sofrido algumas variações, como refere Manuel Neto, o outro sócio: "Quando analisamos as nossas vendas (ainda na Engel) até há um ano e meio, dois anos, estas eram muito marcadas por três ou quatro nacionalidades. Atualmente são mais de 20. Surgem-nos clientes da Jordânia, Tailândia ou EUA, só para dar alguns exemplos".

E quem vem para Portugal é porque quer mesmo comprar, pois o número de consultas reduziu. "Temos notado que o fluxo de pedidos de informação diminuiu imenso, aquela onda de outros tempos de muita gente a pedir informações sobre casas em Lisboa e na linha de Cascais baixou muito devido aos preços que estão a ser praticados", alerta Manuel Neto, acrescentando que "a parte positiva é que os pedidos que recebemos são mesmo de quem quer comprar e já conhece bem o mercado".

Para o empresário, a culpa é da especulação: "A subida do preços dos imóveis foi geral e enquanto há produto em que esses preços fazem sentido, em outros não se justifica. As pessoas têm que perceber os imóveis não têm todos a mesma localização e não têm todos a mesma qualidade. E quem compra já percebeu isso".

A LANE gere um portefólio composto maioritariamente por moradias (66%) de tipologias V2 a V7 e apartamentos (30%) com tipologias desde T2 a T5. O restante são terrenos. Dos mais de 150 imóveis em carteira, cerca de 10% destinam-se a arrendamento, “um produto atualmente com pouca oferta e muita procura”, sublinha ainda Manuel Neto. A marca pretende também alargar o portefólio a outras áreas do mercado imobiliário, nomeadamente imóveis comerciais.