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Corrida às novas casas que vão surgir em Lisboa

Imobiliário

No Valrio, um dos projetos apresentados ontem no SIL, venderam-se 80% dos apartamentos em menos de um mês. A feira imobiliária está a dar a conhecer a nova oferta que está a surgir no mercado e as expectativas dos investidores

Marisa Antunes

Por estes dias, quase todos os caminhos de quem está no mercado imobiliário se cruzam no SIL, o Salão Imobiliário de Portugal que vai estar de pavilhões abertos até ao próximo domingo na FIL, no Parque das Nações. E sejam mediadoras ou promotores são muitas as novidades que têm para apresentar a potenciais clientes nacionais e estrangeiros que estejam interessados em comprar casa.

Um dos lançamentos do primeiro dia do SIL foi o empreendimento VALRIO, promovido em parceria pela Solyd Property Developers e Habitat Invest. Localizado na Avenida de Berlim, junto ao Parque das Nações, em Lisboa, o Valrio está dividido em dois edifícios com sete andares que acolhem 155 apartamentos e 2 espaços comerciais, com tipologias entre T1 e T4 e preços a começar nos 204.000 euros.

O primeiro edifício deste empreendimento leva já cinco meses de obra e apesar da primeira fase de comercialização ter arrancado há menos de um mês, no dia 25 de setembro, dos 100 apartamentos já só restam 20.

A localização e o preço mais posicionado para a classe média/média alta pesaram no sucesso de vendas. Entre o aeroporto e o Parque Vale do Silêncio, junto ao rio e ao Parque das Nações, o empreendimento assinado pelo arquiteto Miguel Saraiva quer abarcar não só investidores mas também famílias daí a inclusão de unidades de tipologias maiores.

Num outro registo e para um segmento mais alto, foi também lançado em exclusivo no SIL, o Marinha Prime, também da Habitat Invest mas desta vez em parceria com a Noronha Sanches.

O empreendimento, da autoria do atelier Promontório, ocupa 2,7 hectares da Quinta da Marinha, em Cascais e vai ter 55 casas de luxo com vista, jardins e a maior parte delas piscinas privadas. Para as zonas comuns está previsto um ‘club house’ com piscina e ginásio e uma receção 24 horas.

Promotores avançam mas com cautela

Dois exemplos que mostram que a construção nova está de regresso depois dos anos em que a reabilitação dominava completamente o mercado. Apesar da adaptação às novas dinâmicas do mercado, os investidores mostram-se cautelosos, segundo apurou o Portuguese Investment Property Survey, estudo da Confidencial Imobiliário em associação com a APPII – Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários e também apresentado no SIL.

O inquérito referente ao 3º trimestre de 2019 revela que 75% dos promotores e investidores imobiliários inquiridos tem em perspetiva lançar novos projetos nos próximos três meses, expetativa que é transversal a todas as regiões cobertas pelo survey, mas que é especialmente evidente nas cidades de Lisboa e Porto. Além disso, 87% dos inquiridos declarou também estar ativamente à procura de terrenos para o desenvolvimento de novos projetos, confirmando o reforço futuro da atividade de promoção.

Não obstante este sentimento positivo, os operadores ativos no mercado mostram-se cautelosos quanto ao comportamento das vendas e dos preços, antecipando um abrandamento nas transações e uma estabilização dos preços no 4º trimestre de 2019. No 3º trimestre, os inquiridos apontaram já uma evolução contida nas vendas, embora se tenham mantido mais otimistas relativamente ao comportamento dos preços.

Os inquiridos apontam, contudo, três grandes obstáculos para a realização do potencial de investimento em nova promoção. A burocracia, e em especial o processo de licenciamento, é considerado por 74% dos inquiridos como um tema muito crítico nas restrições à atividade, seguidos dos custos de construção e dos preços dos terrenos. Estas são as três questões centrais para a determinação do custo total da operação e da sua viabilidade. No presente inquérito, a procura e o acesso ao crédito são as questões que menos preocupam os agentes enquanto fatores inibidores da atividade de promoção e investimento.

“O survey mostra que os promotores olham para o futuro com uma expetativa positiva de que o mercado abre oportunidades, mas com a consciência de que não são já oportunidades com janelas de valorização como antes. Parece existir uma noção de que há condições para dar continuidade a uma trajetória de investimento, mas com um reconhecimento dos limites do mercado e com uma identificação clara dos obstáculos, entre os quais se destacam o tempo de licenciamento das câmaras municipais. Conhecer bem os segmentos-alvo dos produtos é, assim, cada vez mais essencial”, referiu Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário.