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Afinal, os jovens querem ser proprietários das suas casas - apenas não conseguem

Imobiliário

Estudo traça retrato dos desafios e dos desejos dos jovens portugueses em relação à habitação - e os resultados vão contra a ideia feita de que as gerações mais novas não pretendem comprar habitação própria

Marisa Antunes

Os jovens portugueses são tão tradicionais como os seus pais em matéria de habitação e mesmo que arrendar fosse uma opção válida, eles prefeririam sempre a aquisição da casa. Mais: novas tendências como o co-living ainda não foram interiorizadas pelos jovens portugueses. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo da Century21 Portugal sobre os jovens e a habitação, apresentado ontem no II Observatório do Imobiliário, que se realizou no Capitólio, em Lisboa e que contou com a presença, entre outros, do secretário de Estado da Juventude, João Paulo Rebelo.

São cerca de dois milhões (mais precisamente 1,89 milhões), ganham na sua maioria (57,6%) uma remuneração média líquida inferior a mil euros mensais e 38,3% não tem qualquer tipo de rendimento regular. Tendo como ponto de partida as estimativas anuais da população residente do Instituto Nacional de Estatística (INE) para os cidadãos nacionais com idades entre os 18 e os 34 anos, a Century21 quis saber o que querem ou não os jovens portugueses quando a temática é a habitação.

Lembra-se no estudo – assente num inquérito realizado a 800 pessoas nesta faixa etária residentes em vários pontos do País – que “a juventude portuguesa é das mais lentas a emancipar-se, a desenvolver uma vida independente do lar familiar e a aceder à sua própria habitação. De acordo com números do Eurostat, os jovens portugueses são dos que mais tarde abandonam o ninho, em média aos 29 anos, ocupando o sétimo lugar entre os 28 membros da União Europeia”, uma consequência da precariedade laboral. do mercado imobiliário e também de hábitos culturais relacionados com os fortes vínculos familiares, que caracterizam os países de cultura mediterrânica face a outros países europeus.

Segundo este estudo, mais de 40% dos jovens entre os 18 e os 34 anos ainda vive em casa dos pais, porque são economicamente dependentes, e dos que estão emancipados, muitos dependem economicamente da sua família ou do parceiro. Mas não só: 25% de jovens ainda vive com os pais, apesar de já ter independência financeira, resistindo a “abandonar o ninho”, diz o estudo encomendado à Sigma Dos.

“O nosso interesse em compreender as necessidades, expectativas e possibilidades dos jovens, entre os 18 e os 34 anos, em relação à habitação levou-nos a realizar este estudo pois só a partir deste conhecimento podemos ter um ponto de partida para focalizarmos o nosso setor”, diz Ricardo Sousa, CEO da Century21 Portugal. E uma das principais conclusões é que os jovens “revelam uma orientação convencional, que segue o modelo que viram nos seus pais”.

Segundo o responsável, “apesar das diferenças comportamentais face às gerações anteriores, a juventude atual mostra-se conservadora, fiel a valores tradicionais como a família, a criação de um lar, a estabilidade e o sonho da propriedade. Não obstante, a casa desejada deve responder às novas exigências do século XXI, em termos de sustentabilidade e eficiência energética, e a qualidade da construção é uma clara prioridade”.

Assim, nos planos para os próximos anos, os jovens portugueses consolidam a cultura de proprietário, com 87,9% a preferir casa própria e apenas 12,1% dos jovens a imaginar-se a habitar numa casa arrendada.

A aquisição de habitação supera sempre os 80%, em todas as faixas etárias e zonas do País.

Quanto ao co-living, um conceito assente na partilha de casa, o estudo veio mostrar que os jovens portugueses não parecem estar muito motivados para este modo de habitar. Um terço assume mesmo que não gosta da ideia de morar no mesmo espaço em que trabalha e os mais determinados nesta questão são os jovens do Porto ( 38,7%).

Três em cada 10 admitem que não é a sua opção; porém, estariam dispostos a ponderá-la, e mais de um quarto dos jovens considera mesmo que este conceito seria opção para um curto período de tempo.

Apenas um em cada 10 jovens afirma gostar de morar com colegas de trabalho e outros profissionais.

“As respostas indicadas sugerem que esta opção de habitação não reúne ainda atractividade significativa e é considerada pelos jovens portugueses uma solução de recurso temporária”, conclui o estudo.

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