Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Casas para a classe média em Lisboa absorvem quase 70% do seu rendimento

Imobiliário

José Caria

Estudo da Century21 mostra que as taxas de esforço para comprar ou arrendar casa na capital estão muito acima do recomendado tendo em conta o rendimento médio das famílias

Comprar ou arrendar casa em Lisboa é uma missão quase impossível para uma família com rendimentos médios. Um estudo da Century21 Portugal apurou que a taxa de esforço para a compra de uma habitação de 90 m² (considerada a área ideal para a média dos agregados familiares portugueses) na capital representa uma taxa de esforço de 58% para as famílias, bastante acima dos 33% recomendados por instituições como o Banco de Portugal e a DECO. Se a opção recair no arrendamento, a taxa de esforço no orçamento familiar sobe ainda mais para os 68% do rendimento disponível restando pouco mais de 30% para as restantes despesas do agregado familiar.

Assim, comprar a casa de 90m2 na cidade de Lisboa onde o rendimento médio familiar se situa nos 1.733 € mensais (em 2018) implicaria uma mensalidade de 1.011 € ou uma renda mensal de 1.170 €, “em ambos os casos bastante acima dos 572 € mensais recomendados (os quais correspondem a um terço do orçamento familiar disponível)”, conclui o estudo da Century21, lembrando que a preços do mercado uma casa de 90 m2 em Lisboa ascende a cerca de 305.500 €.

Lisboa tem sido o mercado “motor” da recuperação do preço das casas em Portugal. De tal forma que, o preço das casas no final de 2018 ascendia a 3.394 € /m², o valor mais elevado do país e quase o dobro da média metropolitana, nos 1.818 €/m². Nas rendas, Lisboa é também líder nacional, com 13 €/m² em 2018, o que compara com os 10,1 €/m² registados para a Área Metropolitana de Lisboa.

"Este movimento crescente de concentração urbana, com epicentro na capital, obriga à criação de novas soluções de habitação e implica uma nova visão estratégica de mobilidade intermunicipal e urbana, para gerar maior proximidade ao centro das cidades", sublinha Ricardo Sousa, CEO da Century 21, lembrando que esta é, aliás, uma tendência que já se verifica nas principais capitais europeias, "onde as populações optam por habitar fora do centro da capital, em zonas onde as distâncias ao centro são muito superiores às que se verificam na Área Metropolitana de Lisboa".

Rendimento só daria para casa de 40m2

Para cumprir a taxa de esforço ideal, nas atuais condições de mercado, tal família só conseguiria comprar uma habitação de 50 m² ou, em alternativa, arrendar 40 m², em ambos os casos claramente insuficientes para um agregado médio de 3 pessoas.

Os três factores que mais condicionam o acesso à habitação são a concentração urbana, turismo e a procura internacional. São os concelhos com maior densidade populacional e com atractividade mais elevada para o segmento internacional que correspondem não só aos mercados de maior valorização, como àqueles em que a taxa de esforço para aquisição se mostra mais expressiva.

A elevada concentração de procura na cidade de Lisboa, quer por parte do segmento internacional, quer pelo crescente movimento de jovens e famílias para a metrópole, provoca uma maior pressão nos preços dos imóveis, tanto na capital como na Área Metropolitana de Lisboa.

"Neste contexto, é expectável que as taxas de esforço na AML continuem a subir nos próximos meses, e na generalidade dos concelhos, em linha com o aumento da procura de casas nos municípios limítrofes da capital", reforçou ainda o CEO da Century21.

O estudo da Century 21 Portugal pretende avaliar a capacidade de acesso das famílias portuguesas à habitação, com base na análise comparada entre o arrendamento e a aquisição de casa. O objetivo passou, por um lado, por identificar o esforço financeiro exigido às famílias para aceder a ambas as soluções de habitação, nas atuais condições de mercado e, por outro lado, por apurar que tipo de habitação seria mais adequado ao seu rendimento disponível e a solução habitacional mais favorável.