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Casas transacionadas em Portugal com "o maior nível de sempre"

Imobiliário

António Xavier

Novos, reabilitados ou usados, não faltou procura para tanta oferta, mais precisamente 178 691 habitações transacionadas, “o que constitui o registo mais elevado da série disponível”, sublinha o INE, em relatório divulgado esta quarta-feira

Marisa Antunes

O setor do imobiliário está em polvorosa e basta olhar para as gruas, andaimes e placas das imobiliárias nas janelas das casas para se perceber que o mercado está ao rubro a todos os níveis. As Estatísticas da Construção e Habitação divulgadas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao ano passado traduzem precisamente isso - não só o número de fogos licenciados para construção nova (28,3 mil) aumentou 30,3% (+19,0% em 2017) como também as obras licenciadas para reabilitação de edifícios cresceram significativamente 11,7% em 2018 (-0,1% no ano anterior).

Só edifícios novos que ficaram efetivamente concluídos durante o ano passado um pouco por todo o país foram mais 13,5 mil, um acréscimo de 19% face ao ano anterior.

Novos, reabilitados ou usados, não faltou procura para tanta oferta, mais precisamente 178 691 habitações transaccionadas, “o que constitui o registo mais elevado da série disponível”, sublinha o INE, correspondendo a um acréscimo de 16,6% face ao ano anterior. De entre as transações realizadas, 85,2% respeitaram a alojamentos existentes.

O preço mediano do m2 também subiu em relação ao ano anterior - 996 €/m2 , um aumento de quase 7% . Mas três regiões excederam este valor: Algarve (1 523 €/m2 ), Área Metropolitana de Lisboa (1 333 €/m2 ) e Região Autónoma da Madeira (1 207 €/m2 ).

6 mil milhões de euros em três meses

E tudo indica que a dinâmica de vendas vai manter-se elevada. De acordo com os dados oficiais recolhidos pelo Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), no primeiro trimestre de 2019 transacionaram-se 43.826 alojamentos familiares, mais 8% do que em igual período de 2018. Sublinha a APEMIP que este resultado - traduzido em 6,1 mil milhões de euros (mais 12,9% que no período homólogo) - foi “o melhor primeiro trimestre desde que há registo”.

Ainda assim, quando comparado com trimestre anterior, o número de vendas registou uma quebra de 6%.

O presidente da APEMIP, Luís Lima justifica esta redução com o facto de existir ainda uma falta de correspondência entre a oferta (a preços demasiado elevados) para a procura que existe, maioritariamente assegurada pela classe média portuguesa.

“Grande parte da construção que está a ser feita é dirigida para um segmento alto, mas é preciso que haja entrada de casas novas no mercado dirigidas para a classe média e média baixa que são o segmento que mais dificuldades tem em encontrar habitação à medida das suas necessidades e possibilidades", sublinhou Luís Lima, acrescentando que "só com a introdução de ativos no mercado, se poderá aliviar os preços e dar resposta às necessidades dos jovens e famílias portugueses”.