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Arquitetas portuguesas sentem-se discriminadas

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"Às mulheres não lhes chega serem competentes e produzirem boas obras", diz Patrícia Santos Pedrosa, presidente da Associação Mulheres na Arquitectura

Marisa Antunes

Existem em Portugal cerca de 16 mil arquitetos inscritos na Ordem dos Arquitectos e quase metade são mulheres. Mas esta igualdade em número não se replica na projeção do seu trabalho porque a profissão em Portugal é ainda marcadamente sexista.

O alerta vem da presidente da Associação Mulheres na Arquitectura, entidade que hoje ao final da tarde (18h30), no dia em que se celebra a Mulher e os seus direitos, organiza na Roca Lisboa Gallery, em Lisboa, o debate sobre a situação destas profissionais em Portugal.

“As arquitetas portuguesas são já cerca de 50% dos inscritos na Ordem, por isso eu diria que numericamente a profissão está num percurso de feminização. A questão vem depois, com a invisibilização do trabalho dessas mulheres quando saem da universidade, entram no mercado de trabalho e enfrentam muitas dificuldades porque esta é uma profissão historicamente muito masculina, muito sexista”, realça à Visão Patrícia Santos Pedrosa, presidente da associação e ainda professora na Universidade da Beira Interior e investigadora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

A arquiteta sublinha que essas dificuldades surgem desde os tempos da universidade até ao espaço dos ateliês: “Às mulheres não lhes chega serem competentes e produzirem boas obras. Por acréscimo têm de lutar contra o sexismo efetivo que existe na profissão e que está entre pares, nas instituições, é transversal”.

Um círculo muito fechado que poucas aberturas tem dado e que se revela nos poucos nomes femininos que conseguem conquistar notoriedade junto da sociedade com as suas obras apesar do que tem vindo a ser produzido. “Quando temos mulheres competentíssimas e que não chegam aos júris dos concursos, não chegam às salas de exposições, não chegam às conferências como oradoras só podemos rejeitar esta discriminação, porque é disso que se trata, uma discriminação”, reforça ainda.

Os números atestam o interesse das mulheres na profissão e Patrícia dá exemplos do que sucede nos cursos de arquitetura: “No ano letivo 2016/2017, na Faculdade de Arquitectura do Porto 58% dos inscritos eram mulheres, em Lisboa 59% e na universidade de Coimbra cerca de 60%”. E na Ordem dos Arquitectos o número ronda os 44% quando em 1998, quando a Ordem se constituiu, esse peso era de 30%”.

Falta agora tornar as mulheres mais visíveis na profissão exige a associação. “É fundamental que a Ordem dos Arquitectos e das Arquitectas perceba, à margem de instituições similares em outros países, que isto é um tema e que tem de ser estudado. Está na altura de fazer um novo inquérito à profissão para que se tenham dados efetivos do quotidiano das mulheres arquitetas e que permitam montar uma estratégia contra a discriminação”.

A responsável realça ainda que “neste momento a Associação Europeia de Arquitectos já constituiu um grupo de trabalho – o Women architects – para aprofundar o tema e tratá-lo de uma forma agregadora”. Agora, remata, “nós temos obrigação de seguir os bons exemplos e contrariar as más práticas”.

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