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Casas estão caras, mas não tanto assim

Imobiliário

Quem o diz é a OCDE, no estudo económico sobre Portugal

Marisa Antunes

A recuperação económica de Portugal está no bom caminho e até os preços das casas, apesar dos aumentos recentes, estão abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) .

A conclusão vem no estudo económico da OCDE sobre Portugal divulgado ontem e onde ao longo de mais 50 páginas se faz o ponto da situação atual do país. Para além de realçar que o “PIB voltou aos níveis anteriores à crise e a taxa de desemprego caiu 10 pontos percentuais desde 2013, situando-se agora abaixo dos 7 %, uma das maiores descidas registadas nos países da OCDE ao longo da última década”, sublinha-se que ainda assim “a crise deixou as suas marcas, que se refletem na ainda elevada taxa de pobreza da população em idade ativa”.

No capítulo referente ao imobiliário, aponta-se para recuperação do investimento habitacional, em resposta a uma procura acentuada, que consequentemente levou ao aumento de preços.

“Até agora, o aumento dos preços das casas não está a ser acompanhado pelo aumento do stock de crédito habitacional, embora o fluxo de novos empréstimos tenha aumentado desde 2013”, refere-se no estudo, lembrando que “o boom no setor de turismo e a procura por não-residentes (respondendo a incentivos governamentais que vinculam os vistos às compras de moradias) têm sido fatores significativos para este crescimento dos preços da habitação em alguns locais”.

No entanto, ressalva-se, este “nível dos preços da habitação está abaixo da média da OCDE”, existindo equilíbrio entre o investimento aplicado no imóvel e o rendimento que é possível obter. Ou seja, não existe bolha imobiliária, que por definição ocorre quando não há uma proporção entre o que se investiu e o rendimento sobre esse investimento.

As medidas impostas pelo Banco Central para controlar os níveis de endividamento no sector foram também destacadas neste estudo económico sobre Portugal. São”medidas macroprudenciais” ( estruturadas para tornar o sistema financeiro resiliente à absorção de riscos) estabelecidas desde o início do ano passado e definidas para ajudar a reduzir a probabilidade de endividamentos excessivos. “Entre estas estão, por exemplo, os limites definidos para os valores dos empréstimos concedidos pelos bancos e o prazo de vencimento do próprio empréstimo”, concluiu-se ainda.