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Filipa Namora

Filipa Namora

ARQUITETURA E INTERIORES

Betão para uma casa com estilo

Imobiliário

Filipa Namora

Atualmente, o betão continua a ser definido como descaracterizado, mas será que temos mesmo a perfeita noção das suas potencialidades e do aspeto final em que pode resultar? Deixo aqui alguns exemplos. Surpreendente, não é verdade?

Casa de Serralves, Porto

Casa de Serralves, Porto

Durante muitos anos a utilização do betão aparente em construção de edifícios foi sempre encarada, de uma forma geral, com alguma resistência. Através de alguma pesquisa, encontram-se vários artigos que abordam, como um ponto negativo, o aspeto frio e circunspecto deste material. Ou seja, apesar de reconhecida a potencialidade do betão, quer pela sua resistência quer pela possibilidade de construção de grandes vãos, havia sempre alguma objeção ao seu uso. Podemos mesmo afirmar que este era reconhecido como um material dos engenheiros, empregue sobretudo em pontes e coberturas de armazéns.

No início do século XX, curiosamente, Marques da Silva, considerado uma das maiores referências de arquitetura portuguesa, compôs, na Casa de Serralves, no Porto, a estrutura em betão, no entanto, ainda não convencido relativamente à aparência do mesmo, acabou por o imitir com alvenaria tradicional.

Casa Graber, Projeto do Arquiteto Paulo Mendes da Rocha

Casa Graber, Projeto do Arquiteto Paulo Mendes da Rocha

Existem inúmeras obras vítimas desta resistência, no entanto, acredito que, após a visita, em 1925, à feira em Paris denominada de Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, juntamente com o início do movimento moderno em Portugal, alimentado pela obsessão de ter uma imagem arquitetural semelhante a outras cidades mais modernas, os nossos arquitetos ficaram convencidos relativamente à afirmação do betão. Desde então foram várias as obras onde este material foi assumido.

Hoje em dia, apesar do betão em alguns países, como no Brasil, ser altamente utilizado e dominado, em Portugal, surpreendentemente, parece ainda não ter convencido totalmente.

asa Graber, Projeto do Arquiteto Paulo Mendes da Rocha

asa Graber, Projeto do Arquiteto Paulo Mendes da Rocha

Casa da Cascata, Frank Lloyd Wright

Casa da Cascata, Frank Lloyd Wright

Casa em S. Paulo, por Studio MK27 Architects

Casa em S. Paulo, por Studio MK27 Architects

Casa em França, por Studio MK27 Architects

Casa em França, por Studio MK27 Architects

Atualmente continua a ser definido como descaracterizado, mas será que temos mesmo a perfeita noção das suas potencialidades e do aspeto final em que pode resultar? Deixo aqui alguns exemplos.

Surpreendente, não é verdade? O seu impacto faz-se sentir facilmente e não consigo acreditar que mesmo depois de ver estas imagens haja tanta resistência à utilização do betão. Como aconteceu no campo das outras artes, a arquitetura moderna modificou os princípios estéticos, conjugando o betão, o aço laminado, a madeira e o vidro em grandes dimensões no seu sistema estrutural. Perfect macth, diria eu! Surgem então projetos mais ousados, irreverentes, duráveis e flexíveis, que facilmente se conjugam com o ambiente que os rodeia, possibilitando, assim, um melhor aproveitamento dos recursos naturais.

Pensando nos interiores, é um material que resulta super bem, providenciando numa grande liberdade conceptual e estética, sobretudo pela sua capacidade em se conjugar elementos naturais… basta darmos azo à nossa imaginação e espírito criativo! Sejamos ousados!

The Cove, SAOTA Architects

The Cove, SAOTA Architects

Filipa Namora

Filipa Namora

ARQUITETURA E INTERIORES

Natural do Porto, Filipa Namora (1986) é mestre em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Divide a sua atividade profissional entre a arquitetura e, sobretudo, design de interiores. Neste âmbito, tem desenvolvido diversos projetos em várias cidades do país, incluindo espaços de hotelaria (de um hotel centenário em São Pedro do Sul a alojamentos locais de gama média-alta no Porto), bares, restaurantes e várias moradias de luxo. Em cada projeto aposta na autenticidade do espaço e tenta criar uma atmosfera de charme, requinte e conforto. Odeias clichês e não dispensa um bom copo de vinho.