"Sair da crise, mas não do euro" foi a bandeira eleitoral da Nova Democracia ao longo da campanha para as legislativas deste domingo e foi a opção manifestada pelos gregos, em detrimento da hipótese de abandonar o acordo com a troika e consequente saída do euro, defendida pela esquerda radical. 

De acordo com os últimos dados oficiais, a Nova Democracia garante um resultado entre os 29,5 e os 30%, obtendo 128 lugares no parlamento de 300 lugares, enquanto a Syriza, de extrema-esquerda, obtém  27,1 % e 72 deputados. Já o socialista Pasok, de Evangelos Venizelos, obterá 12,3% (33 deputados).

A chanceler alemã, Angela Merkel, felicitou o vencedor Antonis Samaras, de quem espera continuidade nas reformas e o cumprimento dos compromissos assumidos perante os parceiros da União Europeia.

Merkel felicitou o líder da Nova Democracia pelo seu "bom resultado eleitoral". Anteriormente, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já tinha saudado a vitória dos conservadores nas eleições gregas, afirmando que o programa de reformas deve fazer com que a Grécia volte à senda da prosperidade e estabilidade.

No entanto, vários jornais alemães de referência sublinham esta segunda-feira que a Grécia não votou claramente a favor da permanência do país no euro, e que também não se sabe bem o que Atenas pretende afinal da 'troika'.

Para o Frankfurter Allgemeine, jornal do mundo dos negócios, "se as segundas eleições parlamentares na Grécia no espaço de seis semanas eram um referendo sobre a permanência na união monetária, então o resultado esteve longe de ser uma impressionante manifestação dos eleitores a favor do 'status quo'".

O matutino de referência lembra que a esquerda radical, a Syriza, obteve ainda mais votos do que a 06 de maio, e que o seu líder "gostaria muito de atirar as medidas de austeridade aos pés dos doadores estrangeiros". Só a vitória de um dos partidos tradicionais, a Nova Democracia, "impediu  que a despedida da união monetária comece, mas os conservadores de Antonio  Samaras também não estão entusiasmados coma a política de austeridade",  lembra o Frankfurter Allgemeine

Por seu turno, o Tageszeitung afirma que "a Grécia continua dividida" após as eleições, e prevê que, se nos próximos dias não se formar um governo de unidade nacional, "todos os intervenientes podem fracassar".

O berlinense Tagesspiegel, por seu lado, mostra-se mais otimista escolhendo para manchete: "Os gregos elegeram a Europa". No entanto,  concluiu, em editorial: se  os gregos escolheram ou não o euro, "provavelmente, nem eles  sabem".