No seu último dia, a 14 de dezembro, os gémeos Verbessen partilharam um café, despediram-se e receberam injeções letais no hospital de UZ, em Bruxelas, revelou segunda-feira a instituição hospitalar. A Bélgica, a par da Holanda, é um dos países onde a eutanásia é legal, mas apenas em situações de sofrimento "intolerável".

Um porta-voz do hospital citado pela agência Reuters afirmou que o direito  de morrer não lhes foi concedido "só porque eram surdos e cegos" mas porque  "não conseguiam suportar" a ideia de não poderem comunicar um com o outro.

De acordo com a lei belga, o direito à eutanásia só é reconhecido quando  um paciente adulto e em plena posse das suas faculdades expressa voluntária,  veemente e repetidamente o desejo de morrer e quando se verifica sofrimento  físico ou mental persistente a que a medicina não consegue responder. No entanto, o caso de Marc e Eddy é invulgar porque não sofriam de nenhuma  doença terminal nem tinham dores. 

Quando expressaram no hospital da sua área o desejo de morrer, o pedido  foi-lhes recusado porque os médicos rejeitaram a ideia de que os dois estavam  em sofrimento. Só no hospital universitário de Bruxelas é que os médicos  aceitaram que a perspetiva de viver sem se poderem ver era motivo legítimo  para desejar morrer. 

Os gémeos viviam juntos na vila de Putte, onde trabalhavam como sapateiros,  e a sua decisão dividiu a família: enquanto os pais se opuseram, o seu irmão  Dirk defendeu a vontade de Marc e Eddy. "Muitas pessoas interrogar-se-ão porque é que os meis irmãos optaram  pela eutanásia, uma vez que há muitos cegos e surdos que têm vidas normais",  afirmou ao jornal britânico Telegraph, salientando que os gémeos "sofreram  doença após doença" e estavam "saturados". 

Dirk Verbessem indicou que ambos sofriam de glaucoma, uma degeneração  do nervo ótico, e Eddy tinha uma deformação na coluna, além de problemas  cardíacos que o obrigaram a ser operado. 

A eutanásia é legal na Bélgica desde 2002. Em 2011, o estado belga autorizou  1133 pessoas a morrer através de injeção letal, a maior parte doentes terminais  de cancro. 

Poucos dias depois da morte dos irmãos Verbessem, o governo socialista  belga aprovou uma emenda à lei da eutanásia que alarga a sua aplicação a  crianças ou a pessoas que sofram da doença degenerativa neurológica de Alzheimer.