Na mesma semana, Bale concorre consigo próprio em cartaz. Só que em Batman faz de super-herói invencível e umas acrobacias para salvar os bons. Aqui, neste filme passado durante o massacre de Nanjing, em 1937, na guerra sino-japonesa, Bale é um herói (também invencível) e salva imensa gente, sem acrobacias, nem carro especial de corrida, mas com um camião decrépito. Curioso, porque Bale já tinha sido alvo desta ética de crueldade e humilhação nipónica, em criança, no filme de Spielberg, O Império do Sol (1987). Além de Drew Barrymore, de ET, com uma carreira pouco interessante, Bale foi o ator mais consistente (óscar melhor ator secundário) que Spielberg descobriu na infância. Aqui ele é um renegado americano, que é apanhado na China durante a invasão japonesa e apenas quer salvar a pele. Acaba por salvar muitas peles - mas já lá vamos. Com o maior orçamento jamais realizado na indústria cinematográfica chinesa, o filme mostra a guerra como se fosse uma coreografia do horror, cheia de efeitos, "slow motions", estilhaços, desmoronares, ataques suicidas, lama, detritos, "snipers", rajadas, explosões, corpos espalhados, o sangue a esguichar no momento do trespassar da bala... E ao mesmo tempo, a candura de umas meninas chinesas através dos vitrais da catedral cristã que lhes dá abrigo ou dos vestidos encantadores das prostitutas chinesas, das suas maquilhagens e sobrancelhas perfeitas. A história é  simplista, muito esquemática, mas provoca aquele efeito de desalinho anatómico: o coração na boca, o estômago sabe-se lá onde... Depois tudo se passa numa cadeia de sacrifícios. O americano redime-se, sacrificando a sua vida pelas adolescentes, um pai pela filha, as prostitutas pelas miúdas. E talvez seja isto o que define a humanidade.