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Relógios de Sol

Espiral do Tempo

Os mais antigos relógios de sol terão nascido e sido desenvolvidos no Egipto ou na Mesopotâmia, desde 3000 a.C. Mas a China ou as civilizações maia, inca e azteca também por essa altura ou um pouco mais tarde desenvolviam instrumentos semelhantes.

Por: Fernando Correia de Oliveira

Texto completo em www.espiraldotempo.blogspot.com

Trata-se de objectos que indicam a altura do dia através da sombra projectada numa superfície, onde estão marcadas fracções de tempo. Embora qualquer objecto cuja sombra seja usada para determinar o tempo se chame um gnómon, o termo é geralmente aplicado a um objecto que faça sombra e a projecte como parte integrante de um relógio de sol. Os gnómons foram os primeiros relógios.



A única referência bíblica a um relógio (de sol) ocorre num episódio descrito em Reis e Isaías: Ezequias, filho de Acaz, estava doente e sem fé. O profeta Isaías disse que o curaria se ele acreditasse firmemente em Deus. Ezequias pediu-lhe uma uma interferência do Senhor na ordem e no mundo dos homens. O profeta indicou-lhe o relógio de sol de Acaz e disse-lhe que Deus podia adiantar, de um momento para o outro, a sombra do ponteiro em dez graus. Ezequias disse que isso seria algo interessante mas não espantoso. Verdadeiro milagre era a sombra recuar. Isaías invocou, então, Jeová, e fez com que a sombra voltasse pelas linhas pelas quais já tinha passado no relógio de Acaz, dez graus atrás. O céptico Ezequias convenceu-se e, com fé renovada, curou-se.



Outra das primeiras referências a essa maneira de medir o tempo aparece na comédia A Assembleia de Mulheres (392 a.C.) do grego Aristófanes. Nela, uma camponesa acusa o marido de mais não fazer do que observar a sua própria sombra até esta atingir os dez sapatos, após o que se dirigia à mesa para comer.



Na Grécia, aliás, era comum marcarem-se encontros quando as sombras medissem 6,8, 10 ou 12 pés. As tabelas que indicavam em 'pedes' o comprimento da sombra para as horas nos diversos meses eram, na Idade Média, ainda muito comuns.



Os relógios de sol com gnómon e escalas tinham, de início, funções de calendarização. Isto porque, nestes instrumentos, se observava o trajecto executado pela extremidade da sombra, sendo assim possível obter informações relativas aos meses ou aos dias equinociais. A divisão do dia só mais tarde aparece neste tipo de instrumentos. O estudo dos exemplares encontrados no Egipto revela que todos eles davam indicações de tempo muito imprecisas.



A astronomia grega desenvolveu modelos babilónicos, descritos pelo historiador romano Vetrúvio na sua obra De architectura. O problema da construção de relógios de sol em função da latitude geográfica foi solucionado, o mais tardar, no século III a.C., quando o gnómon passou a ser colocado paralelo ao eixo de rotação da Terra - fazendo com que o movimento solar aparente de oriente para ocidente estabelecesse o avanço da sombra.



Em 1975, foi encontrado no Afeganistão um gnómon deixado pelas tropas de Alexandre o Grande, da Macedónia, em 332 a.C. O avanço da trigonometria permitiu cálculos precisos para a marcação dos mostradores dos relógios de sol. Desde então, os relógios de sol antigos indicavam sempre as horas para uma determinada latitude. Relógios de sol portáteis, destinados a viajantes ("horologia viatoria pensilia") foram desenvolvidos por gregos e romanos, podendo ajustar-se a todas as latitudes ou a um certo número de localidades importantes.



Três gigantescos gnómons egípcios, os chamados obeliscos, subtraídos aos locais de origem no século XIX, encontram-se hoje bem no centro de capitais da chamada civilização ocidental: um, pode ver-se em Londres, no Victoria Embarkment, perto do Tamisa; outro está em Central Park, Nova Iorque; um terceiro está plantado bem no centro da parisiense Place de la Concorde.



Embora os relógios mecânicos se tenham tornado relativamente populares a partir do século XVIII, a sua exactidão deixava muito a desejar e os relógios de sol serviam para os acertar. O heliocronómetro, um instrumento de grande precisão em que a sombra é projectada por um fino cabelo de arame, foi usado até cerca de 1900 para acertar, por exemplo, os relógios mecânicos dos caminhos-de-ferro franceses.



Hoje os relógios de sol ainda são usados em muitas zonas do mundo, incluindo a China e o Japão, mas estes objectos tendem a ser considerados mais como adornos.